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Polícia diz que matou suspeito de ataques em Copenhague

Dois civis morreram nos ataques e cinco policiais ficaram feridos

SABINA ZAWADZKI E OLE MIKKELSEN, REUTERS

15 Fevereiro 2015 | 09h03

A polícia dinamarquesa atirou e matou um homem em Copenhague no domingo, 15, que acredita-se ter sido o responsável por dois ataques mortais em um evento para a promoção da liberdade de expressão e em uma sinagoga.

O primeiro-ministro descreveu o primeiro ataque, que tinha semelhanças com um ocorrido em Paris em janeiro no escritório do jornal semanal Charlie Hebdo, como um ataque terrorista.Dois civis morreram nos ataques de sábado e cinco policiais ficaram feridos.

Um homem morreu no primeiro tiroteio, em uma cafeteria que recebia o artista sueco Lars Vilks, que foi ameaçado de morte por retratar o profeta Maomé em desenhos. Outro morreu em um ataque em uma sinagoga próxima.

A polícia dinamarquesa lançou uma grande caçada com helicópteros e uma série de veículos blindados nas ruas geralmente pacíficas de Copenhague.

A polícia disse que disparou tiros que mataram um homem em Norrebro, uma área em Copenhague não muito longe dos locais dos dois ataques.

"Nós acreditamos que é o mesmo culpado por trás de ambos os incidentes ... que foi baleado pela polícia", disse o inspector-chefe da polícia Torben Molgaard Jensen a jornalistas.

O embaixador francês Francois Zimeray participou do evento do café e elogiou o apoio da Dinamarca à liberdade de expressão na sequência dos atentados de janeiro, em Paris.

Testemunhas disseram que mal tinha terminado uma introdução para o evento, quando até 40 tiros foram disparados, do lado de fora, enquanto um invasor tentava atirar dentro do local.

A polícia disse que consideravam Vilks, o principal orador do evento, como o alvo. Um homem de 55 anos morreu em consequência do tiroteio, disse a polícia na manhã de domingo.

"Temos certeza agora que foi um ataque por motivos políticos, e que foi um ataque terrorista", disse a premiê Helle Thorning-Schmidt aos jornalistas, no sábado, perto do local do café.

Horas mais tarde, durante a noite, tiros foram disparados em uma sinagoga em outra parte da cidade, a cerca de meia hora a pé de café. Um homem foi baleado na cabeça, e mais tarde foi confirmado que morreu. Dois policiais ficaram feridos.

Em Paris, em 17 de janeiro, os irmãos Cherif e Said Kouachi invadiram o escritório do jornal Charlie Hebdo e abriram fogo em vingança por suas imagens satíricas do profeta Maomé. Ao todo, 17 pessoas foram mortas em mais de três dias de violência na França.

O presidente do Conselho Europeu Donald Tusk chamou o ataque de sábado de "outro ataque terrorista brutal que teve como alvo nossos valores e liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de expressão."

Helle Merete Brix, organizadora do evento no café, disse à Reuters que tinha visto um invasor usando uma máscara.

"Os guardas de segurança gritaram 'Saiam todos!" e nós fomos empurrados para fora da sala", disse Brix.

"Eles tentaram atirar até a sala de conferências ... Eu vi um deles correndo, usando uma máscara. Não havia nenhuma maneira de identificar a sua face."

A Dinamarca tornou-se um alvo após a publicação há 10 anos de charges satirizando o profeta Maomé, imagens que levaram a protestos por vezes fatais no mundo muçulmano.

Muitos muçulmanos consideram qualquer representação do profeta Maomé uma blasfêmia.

Vilks lançou polêmica em 2007 com seus desenhos retratando Maomé como um cão, desencadeando inúmeras ameaças de morte.

Ele ficou sob a proteção da polícia sueca desde 2010. Há dois anos, uma mulher americana foi condenada a 10 anos de prisão nos Estados Unidos por conspirar para matá-lo.

O presidente francês, François Hollande, disse que o ministro do Interior Bernard Cazeneuve iria para a capital dinamarquesa ainda neste domingo.

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