Polícia diz ter 70% do caso Isabella apurado

Agora, investigação sobre morte de Isabela aposta em exame de DNA

Camila Tuchlinski, Agencia Estado

09 de abril de 2008 | 12h36

A delegada-assistente Renata Pontes, do 9º Distrito Policial (DP), que está responsável pelas investigações da morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, após cair do sexto andar de um prédio da zona norte de São Paulo, afirmou nesta quarta-feira, 9, que a polícia já tem 70% do caso apurado. "Nós temos 70% do caso apurado. Falta esclarecer os outros 30%", afirmou, em entrevista a jornalistas. VEJA TAMBÉM Isabella foi espancada e asfixiada, dizem peritos Especialistas divergem sobre prisões do caso Isabella  Escute por que crimes assim comovem a sociedade Tudo o que já foi publicado sobre o caso Isabella Para esta quarta, a expectativa é a de que o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, tome novos depoimentos, provavelmente de vizinhos do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella. Também há a perspectiva de que os laudos oficiais sobre a morte da menina possam ser divulgados.   Investigações   Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) ainda não concluíram a análise das manchas menores encontradas no Ford Ka de Alexandre Nardoni, 29 anos, pai de Isabella. Como esses vestígios, chamados pelos técnicos de 'substância hematóide', são pequenos, os peritos decidiram não fazer o exame de constatação de sangue, pois não sobraria material para a realização do exame de DNA. Decidiu-se partir direto para o análise de DNA.   Na tarde de terça-feira, 8, os peritos estiveram, pela sexta vez, ao apartamento do casal. Ao mesmo tempo, outros técnicos começaram o seqüenciamento do DNA de Isabella - a amostra de sangue da menina chegou anteontem ao instituto. Os peritos mantém uma postura de cautela em relação aos exames. "Não temos nada concluído e só vamos nos manifestar depois da conclusão de todos os laudos", afirmou o superintendente de Polícia Científica, Celso Perioli.   Os técnicos constataram ainda por meio de um exame de contrastes de imagens que alguém pisou no lençol da cama do quarto em quea menina foi atirada. Há no pano a marca da ponta de um solado, aparentemente de sapato. Quem pisou no lençol, não apoiou seu calcanhar no tecido, deixando uma pegada incompleta. As marcas, porém, diferem do calçado que Alexandre Nardoni, o pai da menina, usava no dia do crime. Imagens do supermercado Sam's Club (veja vídeo), horas antes da morte de Isabella, e da saída do Edifício London, logo após o crime, mostram o Alexandre com um chinelo.   Os peritos do IC recolheram pares de sapato de Alexandre e de Anna Carolina para comparar com a pegada deixada no lençol. A sola do chinelo de Alexandre também deve ser comparado. Para os peritos, o resultado sobre a presença da pegada é apenas um dado a mais na investigação.   Governador   O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse, à tarde, que as investigações sobre o caso estão sendo bem conduzidas e que qualquer declaração sobre o assunto seria precipitada. Serra lembrou que a polícia tem conseguido desvendar até mesmo casos públicos notórios, como o do roubo dos quadros do Museu de Arte de São Paulo (Masp).    "Como todo mundo agora está dizendo, é melhor a gente aguardar para ver qual é a conclusão. Acho precipitado falar. Cada um pode ter seu palpite, intuição, mas eu acho melhor aguardar", afirmou, após participar de encontro com alunos da escola estadual Waldemar Salgado, da cidade de Santa Branca.   Também nesta tarde, o promotor do Ministério Público Estadual (MPE), Francisco Cembranelli, negou que tenha acusado Alexandre Alves Nardoni de ter matado a filha Isabella. A informação foi divulgada no blog do jornalista Ricardo Noblat.     Conforme o blog, o promotor já teria dado aulas para Alexandre e, com base no conhecimento que já tinha do suspeito, teria concluído a culpa.   Cembranelli reagiu: "Isso (a informação no blog) é irresponsabilidade, de um mau-caratismo sem tamanho." Ele negou ter sido professor de Alexandre. "É um completo absurdo", disse. "Eu nunca dei aula para ninguém, e em nenhum momento deste inquérito eu tive conversa informal com ninguém", afirmou.   (com Anne Warth e Wladimir D'Andrade)   Texto ampliado com mais informações às 19h43

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