Polícia do Rio adia pacificação das favelas da Maré

A criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas 15 favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, foi adiada mais uma vez. Segundo a Polícia Militar, o complexo só será retomado do controle do tráfico e da milícia no início de 2014. A região é considerada uma das mais perigosas na capital fluminense. Em vez da pacificação na Maré, a polícia planeja para novembro deste ano ocupar, definitivamente, as 11 comunidades do Complexo do Lins.

MARCELO GOMES, Agência Estado

16 de setembro de 2013 | 18h29

Também localizada na zona norte, a comunidade se tornou o "quartel-general" do Comando Vermelho desde a ocupação dos conjuntos de favelas do Alemão e da Penha, no fim de 2010. O novo plano foi revelado por oficiais do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, durante reunião com representantes de associações de moradores da Maré.

Desde o início de agosto, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), tropa de elite da PM, vem fazendo pelo menos três operações por semana pela repressão ao tráfico no Complexo do Lins. As polícias Civil e Federal também participam das ações. Esta etapa, que na maioria das vezes resulta na prisão de traficantes e apreensão de armas e drogas, é o passo que antecede a ocupação permanente pelas forças de segurança. Em seguida, é implantada a Unidade de Polícia Pacificadora.

Motivos

Segundo fontes da Polícia Militar, as favelas do Lins tiveram preferência pela pacificação por três motivos: o primeiro é a proximidade com outras favelas que já possuem UPPs, como o Morro São João, no Engenho Novo, e dos Macacos, em Vila Isabel. Além disso, a polícia levou em consideração os constantes bloqueios da autoestrada Grajaú-Jacarepaguá devido aos tiroteios na região. A via é uma das mais importantes ligações da zona oeste com a zona norte e o centro do Rio.

Também foi analisada a falta de efetivo de novos policiais na corporação. Com cerca de 130 mil moradores, o conjunto de favelas da Maré precisará de um grande número de PMs para ser ocupada permanentemente - quantidade que a Polícia Militar não dispõe neste momento.

Esta é a segunda vez que o complexo da Maré perde a vez na fila de pacificação. No fim de abril, foram ocupadas três pequenas favelas do Cosme Velho, que fica aos pés do Cristo Redentor. Na ocasião, as autoridades justificaram a medida pela necessidade de fechar o "cinturão de segurança" da zona sul.

Ao contrário dos Complexos da Penha e do Alemão, quando todas as comunidades foram pacificadas de uma só vez, na Maré as favelas deverão ser ocupadas por etapas. Isso porque as comunidades do complexo são controladas por três diferentes grupos criminosos, que disputam a região entre si: Comando Vermelho, Terceiro Comando e milícia.

A pacificação da Maré é considerada estratégica para o Rio, já que a região é rota obrigatória para quem chega ao Rio de Janeiro pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, e precisa ir ao centro, à zona sul ou à Barra da Tijuca, na zona oeste. Atualmente, o Rio de Janeiro possui 33 UPPs. A promessa do governo do Estado é implantar pelo menos 40 unidades até o fim de 2014.

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