Polícia indicia 43 médicos por botox falso

A Polícia Federal indiciou ontem 53 pessoas - 43 médicos, quatro distribuidores e oito comerciantes - por crime contra a saúde pública, contra a ordem tributária e por contrabando no inquérito que visou a reprimir a comercialização clandestina de falso botox. O produto era introduzido ilegalmente no País, vindo de um país asiático, e usado sem fiscalização ou autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

ANGELA LACERDA , RECIFE, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2012 | 03h05

Os médicos respondem em liberdade ao processo e continuam atuando nas suas funções. Eles são de Pernambuco, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e São Paulo. Os quatro distribuidores traziam a fórmula pronta do botox falso (uma pequena quantidade de toxina botulínica do tipo misturado a água). Os comerciantes se encarregavam de vender a carga contrabandeada com médicos, clinicas e consultórios.

Lucro. As informações sobre a conclusão do inquérito foram dadas ontem pelo delegado Humberto Freire de Barros, que coordenou a Operação Narke, fruto de nove meses de investigação. Segundo ele, enquanto a unidade do botox autorizado pela Anvisa pode custar R$ 1 mil, o irregular era vendido a R$ 400.

Segundo Freire, a quadrilha atua há seis anos e o botox irregular era vendido principalmente em Estados nordestinos. A entrada do produto no Brasil se dava de duas formas: tanto podia ser trazida pelos próprios empresários, em frequentes viagens para o mesmo itinerário, como podia ser misturada a importações lícitas. Não há informação sobre a quantidade do produto que já foi comercializada.

As consequências do uso do botox clandestino identificadas nas entrevistas com pacientes que tiveram o produto aplicado são, principalmente, a sua total ineficácia ou um efeito de curta duração.

Para que os médicos envolvidos com o produto contrabandeado possam sofrer algum tipo de punição administrativa ou ética, a PF solicitou que o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) sejam informados dos casos pela justiça.

O nome dos envolvidos não foi revelado. O processo agora corre no âmbito judicial. Se condenados, os responsáveis pelo contrabando ou uso do produto irregular poderão pegar penas de até 15 anos de prisão.

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