Polícia investiga falha humana em mortes após exame

Hipótese de erro nos procedimentos de aplicação do contraste em hospital de Campinas onde 3 pacientes morreram ganha força

RICARDO BRANDT, CORRESPONDENTE / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2013 | 02h02

As investigações das autoridades de saúde sobre a causa da morte de três pacientes que se submeteram a exames de ressonância magnética no Hospital Vera Cruz, na segunda-feira, em Campinas (SP), apontam para uma falha humana nos procedimentos de aplicação do contraste (composto químico, a base de gadolínio, usado para melhorar a qualidade das imagens e do diagnóstico).

Ontem, técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e das secretarias de Saúde do Estado e de Campinas auxiliaram a Polícia Civil a reconstituir os procedimentos adotados pelos funcionários do Centro Radiológico, no Vera Cruz, durante os exames das três vítimas.

O secretário municipal de Saúde, Carmino Antonio de Souza, não descarta as demais linhas de investigação, como contaminação de produtos. Ontem, porém, ele descartou pela primeira vez a possibilidade de que as vítimas tenham sofrido uma reação natural ao produto do contraste.

"A única certeza que tenho é que (as mortes) não foram um acaso. Algo injetado na veia dessas pessoas as matou", afirmou. Nenhuma das vítimas apresentava problemas de saúde e todas fizeram ressonância magnética do crânio, segundo o hospital. Dois homens passaram mal minutos depois do exame e uma mulher chegou a deixar a unidade, mas retornou ao sentir dores.

O secretário diz que, com base nos elementos levantados até agora, pode-se dizer que as mortes decorreram de um problema provocado por algo injetado nos pacientes. "Uma substância química toxicológica, um agente microbiológico, um metal pesado, não sabemos." Não se sabe se propositalmente, acidentalmente ou involuntariamente. A resposta será dada pela polícia.

Investigação. Ontem, especialistas da Anvisa e do município analisaram os resultados dos exames dos pacientes para investigar possíveis superdosagens. A hipótese, porém, perdeu força, segundo o secretário. Os resultados indicam que não foi injetado volume elevado do produto.

Outra evidência que reduz as chances de a máquina ter injetado quantia errada de contraste é o fato de uma das vítimas ter feito o exame em um aparelho que não tem bomba de infusão. Nesse caso, o contraste é injetado por um enfermeiro.

Análise do lixo hospitalar indicou que um dos materiais no descarte foi utilizado em uma vítima, o que pode fornecer pistas. Ontem foi divulgado que, após os exames, outra pessoa passou pela ressonância, antes de o centro ser interditado. Ela não apresentou reações.

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