Polícia investiga fraude no estacionamento do Galeão

Por causa do aumento dos furtos no estacionamento do Aeroporto Internacional do Galeão, policiais civis da Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (DAIRJ) investigam um possível esquema de fraude na execução do contrato do estacionamento do aeroporto. Os agentes constataram que não havia cancelas, seguranças, controles de entrada e saída de veículos no estacionamento. O software de gestão estava inoperante, exatamente onde eram prestadas contas diárias dos valores arrecadados pela empresa terceirizada à Infraero. As investigações são referentes a um período anterior ao início da administração da concessionária RioGaleão, em agosto.

THAISE CONSTANCIO, Estadão Conteúdo

20 Setembro 2014 | 16h32

De acordo com o delegado titular da DAIRJ, Rodrigo Freitas, as fraudes ocorreram pela fragilidade do sistema de controle de entrada, saída e permanência dos veículos. Como o sistema estava inoperante, o operador de caixa tinha que preencher um formulário e anexar os tíquetes de entrada do veículo. Sem fiscalização da Infraero, o funcionário terceirizado poderia decidir se o apresentava ou não para consolidação das informações.

Outro problema identificado pela equipe do delegado Freitas foi na operação da tecla "ESC". Sempre que a tecla era acionada, o registro de saída de um veículo era anulado e o operador podia se apropriar do dinheiro paga pelo cliente, como se o veículo jamais tivesse ingressado no estacionamento. Também há indícios de que funcionários vendiam tíquetes de estacionamentos fictícios e/ou adulterados, com diárias menores, para que o cliente com grande estadia pagasse valor menor.

Tudo, de acordo com o delegado, explica a grande quantidade de carros estacionados no aeroporto, muito além de sua capacidade, já que, segundo a Infraero, no dia 30 de julho deste ano, havia 3.502 veículos parados no local que tem capacidade máxima para 2.772 veículos.

As fraudes ocorreram praticamente durante os três anos que perdurou o contrato com a empresa que não teve o nome revelado e pode ter gerado um prejuízo milionário aos cofres da União. Diante da possibilidade de envolvimento de servidores da Infraero e a lesão ao erário federal, a investigação será encaminhada à Justiça Federal.

Em agosto, a concessionária RioGaleão assumiu a administração do aeroporto e a tarifa do estacionamento passou de R$ 10 para R$ 14.

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