Polícia investiga loja de fogos

Donos de comércio que explodiu em setembro são suspeitos de voltar a vender material

Elvis Pereira, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2010 | 00h00

LOJA NOVA - Em novembro, o casal abriu, na garagem da casa deles, na Rua Camões, loja na qual prometeram não vender mais fogos

A Polícia Civil investigará se Sandro Luiz Castellani, de 40 anos, e Conceição Aparecida Fernandes, de 42 anos, voltaram a fabricar, armazenar e fornecer fogos de artifício. A Rádio Bandeirantes divulgou ontem uma gravação na qual Conceição negocia a venda do material e diz que tinha 30 dúzias de rojão-de-vara treme-terra em casa, em Santo André, ABC paulista. À reportagem, o casal alegou que se tratavam de amostras e que atuavam apenas como intermediadores.

A denúncia foi feita quatro meses após a antiga loja do casal, na Rua Américo Guazzelli, na Vila Pires, explodir, matando duas pessoas e destruindo quatro casas e 15 veículos. Em novembro, o casal abriu, na garagem da casa deles, na Rua Camões, a menos de dez minutos do primeiro endereço, uma loja na qual ofereciam pipas, camisetas e até ovos. Prometeram aos vizinhos que não venderiam nem guardariam fogos ali.

Passando-se por cliente, um repórter da rádio ligou nesta semana para Conceição, que se apresentou como a "dona da loja que explodiu". "Tenho rojão-de-vara colorido, rojão-de-vara treme-terra. Esse aí é bonito", afirma ela, na gravação. Depois, procurados pela reportagem, tanto Conceição quanto o marido alegaram que atuam como representantes.

"Temos conhecimento com os fabricantes e tínhamos muitos clientes de empresas", justificou Sandro. "Não vejo nada de mal em uma firma pedir um material e você tirar uma nota fiscal direto para o consumidor." Ele negou o armazenamento de fogos no local onde atua hoje. "Vendo somente pipas aqui."

Na manhã de ontem, policiais e funcionários da prefeitura vistoriaram o imóvel do casal e nada encontraram. O governo municipal informou não ter concedido permissão para o funcionamento de qualquer comércio ali. Mais tarde, Sandro e Conceição estiveram no 3º DP da cidade, foram ouvidos e liberados. Agora, são "averiguados" pela suspeita de fabricação, fornecimento, aquisição, posse e transporte de material explosivo. A pena varia de seis meses a dois anos de prisão, além da aplicação de multa.

O advogado criminalista Fernando Castelo explicou que esse caso é considerado como uma "infração de menor potencial ofensivo". Por essa razão, Sandro Castellani aparece apenas como averiguado e não cabe prisão. De acordo com ele, mais adiante poderá ocorrer o processo que será respondido por Sandro.

No caso do episódio de ontem, Sandro teria cometido uma transgressão, sem ferir ou machucar pessoas. Caso contrário, poderia responder ou assumir uma lesão corporal ou homicídio culposo, quando não há intenção.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.