Polícia investiga morte de dois moradores de rua no DF

Crime ocorreu no mesmo local em que o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos foi morto queimado

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2009 | 19h49

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte de dois moradores de rua, executados com tiros na cabeça, a queima roupa, na manhã desta segunda-feira, 19, quando dormiam na Praça do Compromisso, na W-3 Sul, uma das avenidas mais movimentadas de Brasília. O local, também conhecido como Praça do Índio, é o mesmo onde o pataxó Galdino Jesus dos Santos foi queimado vivo por jovens de classe média, enquanto dormia, na madrugada de 20 de abril de 1997. O autor dos disparos foi um motoqueiro, descrito como um homem branco, de cerca de 30 anos, que está sendo procurado. A polícia trabalha com indícios de acerto de contas de algum traficante, ou mesmo de vingança pessoal, mas não descarta a hipótese de "limpeza social". "A única certeza é que o crime tem características de execução e muito em breve vamos chegar ao autor e ao eventual mandante", disse o delegado Rodrigo Telho, da 1ª Delegacia Policial, encarregado do inquérito. A seccional Brasília da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que vai acompanhar as investigações.     Segundo policiais, um dos dois moradores de rua, Paulo Francisco de Oliveira Filho, de 35 anos, havia sido convencido por parentes e amigos a mudar de vida e se internaria ainda nesta segunda em uma clínica de recuperação de viciados. Um pastor evangélico combinara com ele que o apanharia às 9 horas e o levaria à clínica, mas ele foi morto pouco mais de duas horas antes, junto com o amigo "Zé".   Testemunhas disseram a policiais que o assassino, um homem branco em uma motocicleta, atirou primeiro na cabeça de "Zé", que morreu na hora. Com o estampido, Paulo acordou e, ao fazer um gesto de defesa, levou três tiros do motoqueiro e também morreu instantaneamente.  A principal testemunha do crime é outro morador de rua, Régis José Maria, que bebeu com as duas vítimas até por volta da meia-noite, quando os três se recolheram para dormir no coreto da praça.   O local vem sendo usado como abrigo noturno de mendigos e também por traficantes de drogas. Com frequência, são registrados ali pequenos furtos, ataques a mulheres e badernas. "Eles defecam na rua, embriagam-se, brigam, fazem sexo e todo tipo de arruaça a céu aberto", reclamou a professora Graça Silva, que mora perto da praça.

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