Polícia pede desculpa por não conter massacre na Noruega

A polícia da Noruega pediu desculpas nesta quinta-feira por não ter agido mais rápido para impedir o massacre de 69 pessoas em um acampamento da juventude do Partido Trabalhista no ano passado por um atirador anti-islâmico que já havia detonado uma bomba no centro de Oslo, que matou oito pessoas.

WALTER GIBBS, REUTERS

15 Março 2012 | 14h44

A violência, a pior da Noruega desde a Segunda Guerra Mundial, chocou profundamente a nação normalmente pacífica de 4,8 milhões de habitantes e as famílias das vítimas criticaram fortemente a polícia por sua resposta lenta.

Eles reclamaram que muitos policiais estavam de férias e que nenhum helicóptero estava pronto para a expedição.

"Em nome da polícia norueguesa eu gostaria de pedir desculpas por não termos obtido êxito em prender o agressor mais cedo", disse o diretor da polícia, Oeystein Maeland, em entrevista coletiva.

Ele explicou que um colapso nas comunicações e um barco da polícia sobrecarregado com oficiais que colocou na água foram os fatores-chave que atrasaram a resposta ao caso do acampamento de verão na ilha.

Anders Behring Breivik, de 33 anos, admitiu ter colocado uma bomba em um prédio do governo de Oslo, antes de iniciar um tiroteio na ilha de Utoeya, a 40 quilômetros de distância, para punir "traidores" com atitudes favoráveis a imigrantes.

Uma equipe psiquiátrica ordenada pelo tribunal diagnosticou Breivik como psicótico, e um segundo exame está em andamento. Seu julgamento por acusações de terrorismo e assassinato deve começar em 16 de abril.

A equipe tática especial da polícia de Oslo demorou cerca de uma hora para viajar de carro e barco para o acampamento da ala jovem do Partido Trabalhista após os primeiros tiros terem sido relatados lá. Breivik, em seguida, rendeu-se por conta própria.

"Cada minuto era um minuto muito longo", disse Maeland após enviar um relatório no qual a direção da polícia nacional lista dezenas de maneiras de melhorar a resposta a ataques futuros.

O chefe do distrito policial onde o massacre ocorreu, Sissel Hammer, disse que a polícia "teoricamente" poderia ter encurtado o ataque de Breivik em 16 minutos se a resposta tivesse sido perfeita. Não foi possível determinar quantas vidas poderiam ter sido salvas, afirmou Maeland.

O serviço de segurança interna da Noruega, um órgão separado, deve apresentar a sua própria autocrítica na sexta-feira e provavelmente deve admitir fraquezas na coleta de informações e análise, informou o jornal Aftenposten.

Além do relatório da polícia, uma comissão parlamentar e uma comissão independente nomeada pelo governo também estão avaliando a resposta da polícia.

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