Polícia prende 3.º acusado de matar menino de 5 anos

A polícia prendeu neste domingo, 30, o terceiro acusado de participar do bando que matou Brayan Yanarico Capcha, de 5 anos. Trata-se de um adolescente de 17 anos, que chegou a ser apontado como o autor do tiro. Mas ele e os outros dois presos afirmaram à polícia que o autor do disparo foi Diego Freitas Campos, de 20 anos. À polícia, disseram que "não entenderam" a atitude do comparsa, que está foragido. Também confessaram ter tentado matar o comparsa.

DIEGO ZANCHETTA, Agência Estado

01 de julho de 2013 | 08h17

O outro foragido, além de Campos, é Wesley Pedroso, também de 19 anos. Neste domingo, a polícia chegou a entrar na casa onde os dois estavam escondidos, perto do Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo, mas eles fugiram pulando o muro. A casa tinha três pitbulls, o que dificultou o trabalho da polícia.

Segundo o delegado Antônio Mestre Junior, o adolescente e outros dois acusados que já estavam presos - Paulo Henrique Martins, de 19 anos, e Felipe dos Santos Lima, de 18, o Tripa - confessaram o crime. Disseram não ter entendido a atitude de Campos ao atirar na criança e tentaram matá-lo. Campos fugiu em maio do Centro de Detenção Provisória (CDP) Franco da Rocha, onde cumpria pena por roubo.

A quadrilha roubava motos na zona leste e na Marginal do Tietê. Disseram à polícia que foram assaltar os bolivianos porque sabiam que eles não tinham conta bancária e guardavam dinheiro em casa. Ao ser detido, o menor carregava R$ 990.

Na madrugada de sexta-feira, 28, o bando invadiu a casa dos pais de Brayan, em São Mateus, na zona leste, para fazer um assalto. Os bandidos já haviam pego R$ 4,5 mil, quando o menino começou a chorar. Irritado com a reação da criança e com o fato de os pais não terem mais dinheiro, Diego Freitas Campos, de 19 anos, atirou na cabeça de Bryan. Antes, o menino implorou: "Não quero morrer, não matem minha mãe". Mas o ladrão, que havia mandado a mãe calar a criança, apertou o gatilho.

Antes de levar um tiro na cabeça, o menino Brayan havia entregado aos assaltantes as moedinhas que mantinha em um pequeno cofre em casa. Segundo a advogada Patrícia Veiga, representante do Consulado da Bolívia que ajudou a família do garoto a resolver a burocracia relacionada ao traslado do corpo, Brayan chegou a dizer "toma la plata (pegue o dinheiro)" aos bandidos ao entregar sua pequena economia - o que não evitou que fosse morto.

Outros bolivianos que estavam no velório do garoto ontem, no cemitério São Judas Tadeu, em Guarulhos, fizeram uma vaquinha para arrecadar fundos à família, que voltará para a Bolívia sem um tostão, uma vez que a economia feita em seis meses, R$ 4,5 mil, foi levada. Os conterrâneos dos pais do garoto foram ao velório em ônibus alugados pelo consulado, que também vai arcar com os custos do traslado do corpo de volta à Bolívia. O embarque deve ser feito hoje.

Manifestação

Cerca de mil pessoas fizeram uma marcha neste domingo, entre os Parques do Povo e Ibirapuera, na zona sul, pedindo paz e penas mais duras para pessoas que cometeram crimes violentos. Vestidas de preto, caminharam gritado "chega" . Havia cartazes lembrado o assassinato de Bryan. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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