Polícia quer exumação de bebê levado vivo ao necrotério

O delegado Jairo Luiz Duarte, de Piraí do Sul, vai pedir a exumação do corpo de um bebê nascido no Hospital Anna Fiorillo Menarim, em Castro (156 quilômetros de Curitiba), que foi considerado morto pelo obstetra e levado para o necrotério do hospital, na última segunda-feira (11), de onde foi resgatado antes de morrer.

JULIO CESAR LIMA, Agência Estado

13 de março de 2013 | 18h12

O pai da criança, Gilmar de Farias, disse que, segundo relato da esposa, Katisilva de Fátima Viana, logo após o nascimento do filho o obstetra disse que o bebê estava morto e o entregou para uma enfermeira. "Fomos vê-lo no necrotério e minha sogra percebeu sua respiração. O pessoal do hospital o levou para uma incubadora, o entubaram, mas logo em seguida ele morreu. Talvez se não tivesse sido levado para lá poderia ter sobrevivido", lamentou. O hospital abriu uma sindicância.

Segundo o delegado, que está em Castro para ouvir os depoimentos das testemunhas, a análise do legista indicará se houve imprudência médica. "Com a exumação será possível, por meio da avaliação do legista, sabermos o que aconteceu, quanto tempo ele se manteve vivo e o que provocou sua morte", disse. Caso o médico seja considerado responsável, ele poderá responder por homicídio. "Os depoimentos estão sendo fortes, muito seguros e depois da análise do IML ele será chamado a depor", afirmou Duarte. O médico José Fernando está afastado das atividades durante o processo.

O pediatra Joaquim Conceição Oliveira, que também é diretor do hospital, depôs nesta quarta-feira. "Ele falou que ainda sentiu a respiração da criança", disse o delegado.

O pai do bebê disse que ainda estava chocado com a tragédia. "Temos um filho de oito anos e programamos uma criança para agora, estávamos bem felizes até que aconteceu essa tragédia. A imagem dele em uma caixinha de papelão dentro do necrotério, frio, tudo isso é muito chocante. Esperamos por justiça", afirmou. O bebê nasceu prematuro, com seis meses e pesava 650 gramas.

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