Polícia sul-africana abre fogo contra mineiros grevistas

A polícia de choque da África do Sul abriu fogo contra mineiros grevistas armados com facões e paus na mina de platina da Lonmin em Marikana nesta quinta-feira, matando pelo menos uma dúzia de homens no episódio mais fatal de uma semana de violência sindical.

JOHN MKHIZE, Reuters

16 de agosto de 2012 | 15h48

Policiais fortemente armados com o apoio de veículos blindados estavam montando barricadas de arame farpado quando foram flanqueados por alguns dos cerca de 3.000 mineiros concentrados em um afloramento rochoso perto da mina, a 100 quilômetros a noroeste de Joanesburgo.

A polícia abriu fogo com armas automáticas sobre um grupo de homens que surgiu detrás de um veículo. A saraivada de balas levantou nuvens de poeira, que depois revelaram pelo menos sete corpos estendidos no chão, mostraram imagens de televisão da Reuters.

Não ficou claro se a polícia tinha sido alvejada. O grupo parecia estar prestes a agir e com fuzis apontando para a frente imediatamente antes do incidente. Fotografias da Reuters mostraram lanças e porretes no chão perto dos corpos.

A agência sul-africana de notícias Sapa disse que um de seus repórteres tinha contado 18 corpos perto de um acampamento de invasores nas imediações da mina, a usina de platina da Lonmin, que foi forçada a fechar na terça-feira por causa da agitação sindical.

Não houve confirmação do número de mortes.

Os preços mundiais da platina saltaram mais de 2 por cento para o maior nível em seis dias à medida que a extensão da violência ficou mais evidente no país, que detém 80 por cento das reservas conhecidas.

Líderes da Associação dos Sindicatos de Mineiros e da Construção (AMCU), que estava representando a maioria dos grevistas, acusaram a polícia de um massacre.

"DIA D"

Antes do início da operação de centenas de policiais, autoridades disseram que vários dias de negociações com líderes sindicais haviam fracassado, não deixando nenhuma opção além de dispersar os operadores de perfuração em greve à força.

"Hoje é, infelizmente, o dia D", disse o porta-voz da polícia Dennis Adriao.

Antes desta quinta-feira, dez pessoas, incluindo dois policiais, morreram em quase uma semana de combates entre facções rivais de trabalhadores na mina.

A agitação obrigou a Lonmin a parar a produção em todas as suas operações sul-africanas, que representam 12 por cento da produção de platina global.

A Lonmin disse que tinha perdido o equivalente a 15.000 onças de platina com a interrupção de seis dias, e provavelmente não cumpriria a sua meta de produção para o ano inteiro, de 750.000 onças.

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