Polícia suspeita do PCC no ataque a delegacia em Botucatu

Ação seria represália contra prisões de 'traficantes fortes', segundo delegado da cidade do interior de SP

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2008 | 16h23

A polícia suspeita que o ataque ao prédio da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) da Polícia Civil em Botucatu, a 238 quilômetros de São Paulo, tenha sido ordenado por integrantes presos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os bandidos invadiram o local na madrugada desta segunda-feira, 10, roubaram armas e drogas, incendiaram os arquivos e, antes de fugir, explodiram o prédio. O local ficou destruído e teve de ser interditado pela Defesa Civil, mas ninguém ficou ferido. Até esta tarde nenhum suspeito tinha sido preso.  O delegado-seccional Tadeu Campos de Castro disse que a ação foi uma represália contra a ação da polícia. "Prendemos traficantes fortes e apreendemos muita droga", disse. De acordo com o delegado Valdomiro Milanezzi, do Departamento de Inteligência da Polícia Civil, a ação foi planejada. Os criminosos tiveram o cuidado de desligar e remover a central de alarme com monitoramento à distância. Depois arrombaram a porta e abriram o cofre onde estavam seis quilos de cocaína pura, 20 quilos de pasta base para cocaína e crack e 100 quilos de maconha prensada. Outro cofre, onde eram guardadas munição e armas, como pistolas automáticas e submetralhadoras, foi colocado no veículo utilizado pelos bandidos. Segundo a polícia, quando eles saíram, ocorreu a explosão. Paredes, lajes e o telhado ruíram, atingindo também a residência vizinha. Uma equipe do Esquadrão Anti-Bombas da Polícia Militar, especializado em ações com explosivos, coletou vestígios de explosivos e gasolina no interior da casa, que sofreu também um princípio de incêndio. Duas viaturas policiais ficaram danificadas.  O delegado titular da Dise, Carlos Antonio Julião Filho, disse que as suspeitas iniciais recaem sobre um grupo que controlava o tráfico de drogas na cidade e cujos principais integrantes foram presos. Depois de várias baixas, o grupo que agia de forma isolada se uniu ao PCC.  Alguns dos líderes da organização na região também estão presos e podem ter planejado o ataque do interior de penitenciárias, segundo o delegado titular da Dise. "A impressão que nós temos é que a intenção deles era na verdade subtrair as drogas apreendidas, armas de fogo, munição, e causaram a explosão para acabar de destruir a delegacia", afirmou.Em razão do atentado, a Secretaria da Segurança Pública colocou em alerta todas as unidades policiais no Estado. Inicialmente, havia temor de que ocorressem outros ataques às unidades policiais, como a onda de ações desencadeada há dois anos pelo PCC. Mais tarde, o delegado seccional considerava que a ação visava unicamente àquela delegacia. "Vamos responder à altura", prometeu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.