Polícia vai apurar se RG participou de morte de soldado

Horas depois de a Polícia Militar ter divulgado nomes e fotos de quatro acusados de envolvimento no ataque à UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, e na morte da soldado Fabiana Aparecida de Souza, um dos suspeitos entregou-se à Polícia Civil do Rio de Janeiro no fim da noite de quarta-feira.

MARCELO GOMES, Agência Estado

26 de julho de 2012 | 18h01

Regis Eduardo Batista, o RG, de 24 anos, possuía 27 de mandados de prisão por vários crimes, entre eles tráfico de drogas, homicídios e roubos. Porém, a Divisão de Homicídios (DH), que investiga o assassinato da policial militar, ainda não confirmou a participação dele nesse crime. "Nesse momento as investigações estão sob sigilo", limitou-se a afirmar o delegado Rivaldo Barbosa, titular da DH.

Perguntada sobre a participação de Regis nos crimes, a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, tergiversou: "O importante é destacar a periculosidade do DG, que com apenas 24 anos, já possui 27 mandados de prisão. Ele responde a sete inquéritos de homicídios, alguns deles de policiais. Como autor de vários crimes, estamos articulando com várias delegacias para que ele seja ouvido em todas essas investigações".

Regis se entregou a agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Corregedoria da Polícia Civil num posto de gasolina em Maria da Graça, zona norte do Rio, após seu advogado negociar sua rendição. Em depoimento na madrugada desta quinta-feira na DH, ele negou envolvimento no ataque à UPP Nova Brasília e na morte de Fabiana, ocorridos na noite de segunda-feira.

O bandido admitiu que pertencia à facção do tráfico de drogas no Morro da Fé, no Complexo da Penha, até a tomada do conjunto de favelas da Penha e do Alemão pelas forças de segurança, em novembro de 2010. Ele teria fugido para o Morro da Mangueira, que também foi ocupado pela polícia um ano depois. Em seguida, Regis disse que passou pelos morros do Chapadão, em Costa Barros, e do Juramento, em Vicente de Carvalho, antes de se refugiar na Região dos Lagos do Estado. Atualmente, o traficante estava morando na zona oeste da capital. Ele é apontado como braço-direito do traficante Luis Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, que chefia e venda de drogas nos morros do Chapadão e da Pedreira, ambos em Costa Barros.

Regis também foi um dos 26 indiciados no inquérito da 25ª DP (Engenho Novo) que investigou o abate do helicóptero da Polícia Militar no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, zona norte do Rio, em outubro de 2009. Em setembro de 2010, o Ministério Público denunciou quatro bandidos à Justiça, e solicitou mais investigações sobre o envolvimento de 22 pessoas, entre elas, Regis.

Pelo terceiro dia consecutivo, a Polícia Militar voltou a realizar nesta quinta-feira operações em várias favelas controladas pela mesma facção criminosa que atuava no Alemão à procura dos criminosos que metralharam a UPP e mataram a soldado. Até o fim da tarde desta quinta-feira, um suspeito morreu em confronto com os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Outros 10 foram detidos no Juramento e nos morros do Chapadão, em Costa Barros, e do Cajueiro, em Madureira - todos na zona norte. Drogas e armas foram apreendidas.

A Divisão de Homicídios (DH) também investiga a morte de dois jovens durante confronto com PMs da UPP do Morro do Andaraí, no bairro de mesmo nome, na zona norte, na noite de quarta-feira. As vítimas foram identificadas como Jean Marlon Alves Vieira, de 18 anos, e Ednilson da Conceição, de 21 anos. Os dois foram atingidos por um mesmo tiro de fuzil calibre 7.62, disparado por um PM. Segundo a polícia, com eles foram apreendidos drogas, um revólver calibre 32 e uma réplica de pistola falsa. Jean Marlon tinha duas passagens por roubo, quando ainda era menor, e Ednilson tem uma anotação por tráfico de drogas. Parentes dos rapazes, porém, negam que eles tivessem envolvimento com o tráfico.

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