Policiais federais param e pedem reestruturação da carreira

Policiais federais de 25 Estados e do Distrito Federal entraram em greve nesta terça-feira pedindo a criação de uma lei que reestruture as carreiras da corporação, estabelecendo as atribuições de cada cargo e atualizando a tabela de salários da categoria.

Reuters

07 de agosto de 2012 | 16h27

Somente os policiais federais no Rio de Janeiro não aderiram ao movimento, mas segundo o vice-presidente da Federação Nacional de Policiais Federais (Fenapef), Paulo Poloni, os policiais fluminenses ainda não entraram em greve por conta de eleições no sindicato local, mas que a categoria já realizava assembleias no Estado.

"Nós acreditamos que eles irão decidir pela greve. Inclusive Nova Iguaçu, que é uma das delegacias do Rio, já fechou", disse Poloni à Reuters por telefone. "A adesão no Brasil inteiro está muito boa. E agora estamos no aguardo do governo."

Procurada, a Polícia Federal disse por meio de sua assessoria de imprensa que não se manifestaria sobre a paralisação. O Ministério da Justiça, a quem a PF está subordinada, afirmou que ainda não tem um posicionamento sobre a greve.

A categoria reivindica que todos os cargos da Polícia Federal sejam considerados de nível superior, inclusive os escrivães e papiloscopistas. Segundo Poloni, na prática, esses funcionários já são de nível superior.

"Estamos pleiteando uma lei que efetivamente estabeleça as atribuições dos cargos", disse. "Evidentemente que a reestruturação tem um reflexo salarial. Em termos salariais, estamos há sete anos sem nenhum reajuste. Nem inflacionário."

De acordo com Poloni, 70 por cento do efetivo de 12 mil funcionários da PF aderiram à paralisação. Ele disse que serviços como fiscalização, realização de audiências e de investigações foram suspensos.

Em alguns aeroportos, como o Salgado Filho, em Porto Alegre, e o Juscelino Kubitschek, em Brasília, os funcionários da PF cruzaram os braços.

Em São Paulo, nos aeroportos de Congonhas e de Guarulhos, a previsão é realizar a partir de quinta-feira uma operação-padrão, quando todos os procedimentos são seguidos à risca, o que, na prática, torna mais lento o trânsito de passageiros pelos postos de controle.

"Nas delegacias de fronteira, nós orientamos que se faça uma operação-padrão, porque são áreas de segurança nacional", disse o vice-presidente da Fenapef.

Segundo ele, a emissão de passaportes não será completamente suspensa "para não prejudicar os cidadãos". De acordo com Poloni, os casos emergenciais serão atendidos pelos funcionários da PF.

(Reportagem de Eduardo Simões)

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