Policiais sequestraram e extorquiram traficantes, diz MP

Os policiais do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e da Polícia Civil de Campinas (SP) presos nesta segunda-feira, por suposto envolvimento com o tráfico de drogas, foram flagrados pelas investigações do Ministério Público (MP) quando começaram a sequestrar e extorquir traficantes, no início de 2013, por causa de atrasos nos pagamentos de propina.

RICARDO BRANDT, Agência Estado

15 de julho de 2013 | 16h25

Entre outras provas levantadas pelo MP, os policiais foram flagrados quando usavam os telefones dos familiares dos traficantes, que tinham sido sequestrados, para extorquir os criminosos, exigindo o pagamento das propinas. Os telefones dos traficantes estavam grampeados pelo Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas, que desde outubro de 2012 investigava a ação de criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na região.

Em gravações, foram descobertas também conversas do sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, preso desde 2002 na penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau. De acordo com o que apurou a reportagem, Andinho ainda mandava no tráfico de drogas do bairro São Fernando, em Campinas, um dos principais pontos de venda de entorpecentes da cidade. Traficantes da área, sob comando dele, eram obrigados a pagar uma anuidade de R$ 300 mil para os policiais civis para atuar e mensalidades de até R$ 30 mil. Com os atrasos de pagamento e a reação dos policiais, com os sequestros, Andinho teria ordenado que fossem feitos ataques a policiais.

As investigações do Gaeco começaram em meio à onda de enfrentamento entre membros do PCC e policiais do Estado, em 2012. Na ocasião, foram presos 29 membros do comando local do crime, em Campinas, Monte Mor, Hortolândia e Cosmópolis. Entre os acusados, estava o dono de uma lanchonete na Avenida Norte-Sul, espécie de Avenida Paulista de Campinas, que morava num condomínio de luxo. Ele seria o tesoureiro do grupo e conseguiu fugir.

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