Policial morre durante patrulhamento na Rocinha, no Rio

A favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, registrou na madrugada de quarta-feira a primeira morte de um policial durante todo o processo de pacificação das comunidades na cidade. O cabo do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Rodrigo Alves Cavalcante, de 32 anos, foi morto com um tiro por traficantes durante um patrulhamento no alto do morro. Ele foi a 9ª vítima da onda de violência que há 50 dias atinge a Rocinha, ocupada desde novembro por forças de pacificação.

ANTONIO PITA, Agência Estado

04 Abril 2012 | 20h17

Em resposta à morte do policial, na manhã de quarta-feira 150 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque realizaram uma operação na favela para prender o suspeito Edilson Tenório de Araújo, de 40 anos. Ele teria atirado no cabo após a tentativa de abordagem no alto do morro, em um ponto de venda de drogas. Na fuga, o suspeito deixou uma bolsa com munições e um documento, o que permitiu sua identificação. Segundo a PM, ele já tinha sido preso duas vezes por tráfico de drogas.

O policial Rodrigo Alves Cavalcante foi atingido na axila esquerda e chegou a ser encaminhado para um hospital, mas não resistiu. Filho de um militar da reserva, ele era o mais novo de quatro irmãos. Um deles, também PM, já havia morrido em serviço. O enterro, com honras militares, será realizado quinta-feira, às 10 horas, no cemitério de Jardim da Saudade, na zona oeste do Rio.

Apesar da morte do policial, o secretario estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, disse em conversa com jornalistas que não vai recuar na ocupação da Rocinha. "Ninguém aqui vai trabalhar com gosto de sangue na boca. Existe um planejamento para a Rocinha, que ainda está na primeira fase da pacificação. Não temos uma vitória absoluta, ela está sendo construída". Beltrame descartou a possibilidade de pedir ajuda ao Exército.

No momento em que foi atingido, o cabo Rodrigo Alves Cavalcante realizava um patrulhamento a pé na Rocinha junto com outros sete policiais. Quatro deles eram recém formados, convocados na última segunda-feira, para reforçar o policiamento na favela. No total, já são 640 policiais distribuídos em quatro turnos. Um centro de comando também foi implantado no alto da favela para monitorar as ações de patrulhamento com aparelhos GPS.

As mudanças na estratégia de atuação, com patrulhas a pé, e o aumento do efetivo foram anunciadas ao longo da semana como soluções para diminuir a escalada de violência na Rocinha. Desde fevereiro, outras oito pessoas já haviam sido mortas a tiros na comunidade. No último domingo, Alexandre da Cunha Fernandes, de 30 anos, foi morto na Via Ápia, uma das principais ruas de acesso à Rocinha.

Segundo a PM, a vítima tinha envolvimento com o tráfico. A polícia também admite que existe um confronto entre traficantes pelo comando da venda de drogas no morro. Em novembro, o líder do tráfico no local, Antônio Bonfim Lopes, conhecido como Nem, foi preso antes da ocupação da PM. A partir daí, traficantes rivais teriam retornado à favela para controlar a venda de drogas na região, o que estaria provocando as mortes e confrontos.

Apesar dos confrontos, Beltrame disse que não vai mudar o modelo de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas favelas cariocas. "O inimigo da paz quer que a gente mude de estratégia. Estamos contrariando interesses de pessoas que tinham seus próprios tribunais. Era uma ditadura do tráfico que durou 40 anos. Não vamos recuar, mas precisamos consolidar o modelo antes de avançar".

Nesta quarta-feira, o secretário também anunciou a regulamentação do trabalho de policiais nas horas de folga. O bico, como a prática é conhecida, passa a ser institucionalizada na PM. Os agentes receberão adicionais por hora trabalhada em dias de folga e serão deslocados para regiões com demanda por reforço de policiamento ou em eventos de grande porte.

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