Policias são investigados por suposto flagrante forjado

Um major e um tenente da Polícia Militar (PM) são investigados pela Corregedoria da corporação e pela Polícia Civil por supostamente terem forjado um flagrante que resultou na detenção de um adolescente no dia 30, durante manifestação de professores em greve no Rio.

ADRIANO BARCELOS, Agência Estado

03 Outubro 2013 | 19h09

As imagens da abordagem ao menor mostram o major Pinto, do 5º Batalhão de PM, e o tenente Andrade, lotado na cidade de Mesquita (Baixada Fluminense). No momento da revista é possível ouvir Pinto dizer que o suspeito estava "com três morteiros". Momentos antes, Andrade era mostrado pela filmagem andando pela rua com os explosivos nas mãos. Na sequência, ele deixa um morteiro cair no chão, junto aos pés do adolescente, e o recolhe. É quando o major anuncia o encontro dos morteiros. O menor é algemado e conduzido por ruas do centro. Em volta, amigos dele protestam contra a detenção.

O comando-geral da PM determinou abertura de sindicância para investigar o caso. Os dois PMs foram ouvidos nesta quinta-feira, 03, pela Corregedoria. O jovem e possíveis testemunhas não foram localizados. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar abuso de autoridade por parte dos policiais.

De acordo com a PM, o major e o tenente não participarão das ações de repressão às manifestações pelo período 30 dias. Pinto é o mesmo policial filmado e fotografado quando dirigia jatos de gás de pimenta em direção a professores manifestantes ao lado da Câmara de Vereadores do Rio, na segunda-feira.

O tenente-coronel Cláudio Costa, relações públicas da PM, afirmou que "está claro" que os policiais militares não acusaram o menor pela posse dos morteiros. Isso porque o registro da detenção, na 5ª Delegacia de Polícia, informa que os explosivos foram recolhidos no chão. Mesmo assim, as circunstâncias da ação serão investigadas. A sindicância pode resultar em processo administrativo e, ao final, até na expulsão dos oficiais da corporação.

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