Políticos da Tunísia discutem supervisão do governo interino

Políticos tunisianos estão negociando a criação de um conselho para substituir ou supervisionar o governo provisório, disseram várias fontes na segunda-feira, após dias de protestos populares contra o atual gabinete.

TAREK AMARA E ANDREW HAMMOND, REUTERS

24 de janeiro de 2011 | 19h54

Essas fontes disseram que o conselho teria a tarefa de proteger a "Revolução de Jasmim", que derrubou o presidente Zine al Abidine Ben Ali neste mês. Manifestantes se queixam da permanência de ministros do antigo regime no novo gabinete.

No mesmo dia, um general que se recusou a apoiar a repressão aos manifestantes no final do governo de Ben Ali alertou que o vácuo político na Tunísia pode levar à reinstalação da ditadura.

"A nossa revolução é a revolução de vocês. A revolução da juventude pode se perder e pode ser explorada pelos que pedem um vácuo", disse o general Rashid Ammar a manifestantes que pediam a demissão do primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi.

"O Exército irá proteger a revolução", acrescentou Ammar, cuja decisão de retirar o apoio a Ben Ali foi vista como um fator preponderante para que o presidente deixasse o país, no dia 14.

A revolta na Tunísia foi motivada pela pobreza, o desemprego e a corrupção, e teve repercussões em todo o mundo árabe, onde outros governos autoritários se empenham para coibir dissidências, muitas vezes com apoio de potências ocidentais que os veem como barreiras contra o radicalismo islâmico.

A ativista Sihem Bensedrine, presidente da ONG Conselho Nacional para as Liberdades, disse que a criação do novo conselho governamental é iminente.

"Estamos negociando com o governo de transição. Tivemos contatos com alguns ministros no novo governo e com o presidente da comissão de reforma política", disse ela, referindo-se a um grupo criado pelo governo para avaliar medidas que levem a eleições livres e impeçam a ascensão de um novo ditador.

"A ideia é criar um tipo de conselho para salvaguardar a revolução", acrescentou Bensedrine.

Ela disse que o Parlamento, leal a Ben Ali, deve ser dissolvido, e que o conselho teria poderes de supervisionar o governo interino, que possivelmente manteria Ghannouchi como primeiro-ministro. Em seguida seria convocada a eleição de um Parlamento constituinte.

O conselho deve ter participação dos sindicatos, da ordem dos advogados, de grupos da sociedade civil e de partidos, inclusive o Ennahda, maior entidade islâmica local, que era proscrita no governo de Ben Ali.

"Isso irá aplacar a ira do público, é uma solução para sair dessa crise e uma forma de estabelecer a confiança das pessoas", afirmou a ativista.

(Reportagem adicional de Ashraf Fahim e Lin Noueihed, em Túnis; e de Catherine Bremer e Yann Le Guernigou, em Paris)

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