Polônia vive expectativa para beatificação

País de maioria católica, terra de João Paulo II se prepara para cerimônia, no domingo. Milhares devem ir a Roma

AP e Efe,

29 Abril 2011 | 01h40

Às vésperas da beatificação do papa João Paulo II, a Polônia se enche de demonstrações de fé e orgulho. O país onde nasceu Karol Wojtyla e ostenta maioria católica vive um clima de grande expectativa para a cerimônia de beatificação, que será realizada no domingo, em Roma. Peregrinos lotam ônibus e trens rumo à jornada de 30 horas até a Itália. Outros milhares devem preencher as praças na capital Varsóvia, em Cracóvia e na cidade natal de João Paulo II, Wadowice, para assistir à cerimônia em telões.

A atmosfera de celebração contrasta nitidamente com o profundo sentimento de luto que tomou conta da Polônia após a morte de João Paulo II, em 2005. Na época, fitas negras e igrejas fechadas eram expressões da tristeza disseminada pela perda da autoridade mais respeitada do país, que teria desempenhado, papel importante para o fim do regime comunista no país.

Nas ruas, muitos repetem o mesmo bordão: o de que a beatificação de João Paulo II é apenas uma formalidade, porque os poloneses já o consideram o mais santo dos homens. A beatificação é o último passo antes de uma possível canonização, e muitos poloneses esperam que o rápido processo até aqui ajude a acelerar também o de santificação.

"Para nós, o Santo Padre já era um santo durante sua vida. E mais ainda após sua morte", disse Ewa Filipiak, prefeita de Wadowice, a pequena cidade no sul da Polônia onde Karol Wojtyla, o futuro João Paulo II, nasceu.

O arcebispo de Varsóvia, Kazimierz Nycz, chamou a beatificação de "momento histórico" e previu que o papa entrará para a história como "João Paulo II, o Grande". Muitos acreditam que o papa desempenhou importante papel em inspirar o movimento Solidariedade, de Lech Walesa - um catalisador do fim do comunismo na Polônia.

A vida de João Paulo II, moldada pelo sofrimento da II Guerra e das décadas de regime comunista, fez dele "uma pessoa com quem os poloneses se identificam", analisa Marek Lasota, diretor do Instituto de Memória Nacional.

Mesmo com uma crescente secularização da população, especialmente entre os mais jovens, o número de poloneses que devem viajar a Roma é estimado em dezenas de milhares - bem menos do que as centenas de milhares que foram ao seu funeral.

Alguns poloneses criticam o que consideram uma adoração irracional de um homem que teria tolerado os escândalos de pedofilia que ocorreram na Igreja Católica durante seu papado, que durou 27 anos.

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