Poluição diminuiu 98,9% em Cubatão, mostra estudo

Cidade deixa histórico de poluição para trás, mesmo com crescimento da produção

REJANE LIMA, Agencia Estado

25 de julho de 2008 | 20h18

Depois de 25 anos do início do programa de recuperação ambiental que somou mais de US$ 1 bilhão em investimentos, um estudo releva que a quantidade de fumaça e poeira emitida pelas empresas do pólo industrial de Cubatão, na Baixada Santista (SP), diminuiu 98,9% desde 1983, mesmo com a produção crescendo 39% nos últimos dez anos. Elaborado pelo consultor ambiental Eduardo San Martin, a pedido do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) da cidade, o trabalho foi apresentado nesta sexta-feira, 25, na sede do órgão.Citando o antigo "Vale da Morte" como exemplo de recuperação ambiental, o secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, elogiou os números da pesquisa. "Olha a mudança que aconteceu aqui, que fantástico! Acabou o "achismo''; aqui nós temos números, dados, comprovação", discursou.O levantamento mostra que a emissão de amônia, por exemplo, diminuiu 99,4% no período, de 3.489 para 20 toneladas por ano e que a quantidade de hidrocarbonetos despejados anualmente caiu 95,7%, de 32.804 toneladas para 1.300. O estudo mostra ainda os melhor uso dos recursos naturais, com o consumo de energia caindo 23% e a "recirculação" da água no processo produtivo aumentando 65% (tornando possível redução de 28,3% na captação e 32,4% no lançamento de efluentes líquidos). Desde o início do programa, as 54 empresas dos segmentos químico, petroquímico, siderúrgico e de fertilizantes, além de prestadores de serviços do pólo, reduziram em 89% a destinação de resíduos para aterro ou incineração, com a aplicação de "reuso" e reciclagem aumentando 19%.No entanto, apesar dos avanços comprovados a olho nu pela mudança da paisagem da serra, dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, apontam que o controle de poluentes não foi suficiente para melhorar a qualidade do ar respirado na cidade, que continua saturado. O argumento é do consultor ambiental e ex-gerente da Cetesb Élio Lopes dos Santos.RelatórioEngenheiro com especialização em controle ambiental, Santos afirmou que, em 2007, conforme mostra o Relatório da Qualidade do Ar no Estado de São Paulo, os níveis de material particulado medidos pela estação da Cetesb da Vila Parisi (região industrial de Cubatão) atingiram 108 microgramas de partículas de poeira por metro cúbico de ar, quando a quantidade máxima permitida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 50 microgramas. Ele afirmou ainda que os níveis de ozônio registrados no centro da cidade passaram cinco vezes o máximo recomendado como padrão (160 microgramas de poeira por m³)."Houve uma melhora significativa, no entanto, há uma preocupação quanto à qualidade do ar: uma coisa é controle da poluição e outra é qualidade do ar. Nós não podemos sair por aí comemorando porque ainda tem muita coisa a se fazer", disse, destacando que apenas uma empresa da cidade possui sistema para tratamento de metais pesados (a Carbocloro).Santos disse ainda que, embora o controle de poluição no município seja considerado "de primeiro mundo" em comparação ao resto do País, Cubatão sempre terá o ar saturado. "É uma região de vale, com difícil circulação; por mais que seja feito o controle, o residual apresentado ainda mantém uma qualidade de ar ruim", completou.

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