Por enquanto, testes com bichos são só pesquisa

A palavra células-tronco (CT) tornou-se mágica. Embora saibamos que não são células milagrosas, que poderão curar todas as doenças humanas ou animais, temos esperanças de que as CT poderão ajudar na medicina regenerativa. Mas, por enquanto, são pesquisas. Não podemos falar em "tratamento". Para quem gosta de animais, como eu, a torcida é grande. Embora eles possam ser excelentes modelos para experimentação, avaliar os resultados em casos isolados é complicado e pouco informativo. Além da grande diferença que existe entre os animais, temos ainda inúmeras questões a resolver com as CT, tais como: quais são as melhores fontes de CT? Que tecidos elas são capazes de regenerar? Como prevenir o aparecimento de tumores?

Análise: Mayana Zatz, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

Experiências com animais poderão trazer contribuições importantes para essas perguntas. Em uma pesquisa com cães portadores de distrofia muscular que fizemos na Universidade de São Paulo, por exemplo, observamos que CT de polpa dentária não foram eficazes para regenerar o músculo doente. Será que CT de tecido adiposo são melhores?

Por mais que queiramos tentar de tudo para tratar nosso bichinho de estimação, só obteremos respostas fidedignas se usarmos protocolos bem padronizados, comparando animais injetados e controles não injetados, em teste "cego" - em que nem o pesquisador nem o dono do animal sabem quem recebeu as células. Só assim poderemos julgar, de modo isento, se as CT ajudaram na recuperação clínica. Por isso esses testes terapêuticos, em humanos ou animais, devem ser gratuitos. Porque são pesquisa, não são tratamento.

GENETICISTA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

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