Por que Dubai interessa ao mundo

Dubai, um dos sete Emirados Árabes, tem dívidas enormes. O Estado tomou US$ 80 bilhões emprestados para financiar as construções projetadas para transformar o pequeno país num centro financeiro e turístico.

Julia Finch*, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

A Dubai World, holding estatal que possui ativos que vão desde Palm Island (Ilhas das Palmeiras) até a loja de departamentos Barney"s, em Nova York, passando por uma participação na Mirage MGM, empresa de cassinos de Las Vegas, nos Estados Unidos, e portos em todo o mundo, é devedora de US$ 59 bilhões.

O grande temor é que esses empréstimos não sejam pagos na sua totalidade.

Entre os credores da Dubai World estão alguns bancos que foram menos afetados pelo colapso financeiro, como o HSBC e o Standard Chartered, como também o RBS, controlado pelo governo britânico, e o Lloyds Banking Group.

Se Dubai deixar de pagar suas dívidas, será o maior calote de dívida soberana desde a moratória da Argentina, em 2001. A Dubai World tem 70 credores que poderão enfrentar baixas contábeis da sua dívida.

Por que os investidores estão tão assustados? A preocupação é que essa moratória poderá ser o sinal de alarme precursor de um novo caos financeiro. A história mostra que as crises frequentemente começam nos locais mais inesperados. A crise financeira do Sudeste Asiático de 1997, que tragou a Indonésia e a Coreia do Sul, teve início na Tailândia. Em 2001, foi a Argentina. Os problemas no ano passado surgiram primeiro na Islândia e na Irlanda.

"Ainda estamos vulneráveis a choques financeiros de qualquer tipo e esse é um deles", disse Russell Jones, chefe da Divisão de Moeda e Renda Fixa na RBC Capital Markets. Exatamente agora que os mercados começavam a reconquistar a confiança, Dubai ameaça destruí-la.

A preocupação dos investidores com as notícias vindas dos Emirados Árabes foi tamanha que provocou uma onda de nervosismo no mercado financeiro internacional, com quedas nas bolsas da Ásia, Europa e dos Estados Unidos.

O temor agora é que Dubai se veja forçado a uma liquidação de ativos, reduzindo ainda mais o valor dos bens. As ações na Bolsa de Londres, por exemplo, perderam US$ 0,984, fechando em US$ 1,24, uma vez que a Bolsa de Dubai detém uma participação de 20% na rival londrina.

Dubai também é grande investidor em imóveis comerciais no mundo. A recuperação que vem se configurando em Londres poderá ser aniquilada se o dinheiro for retirado.

A angústia do investidor também aumentou muito porque o anúncio da moratória da dívida foi feito antes do quarto dia do longo feriado de Eid al-Ad, o que significa que muitas questões ficaram sem resposta até agora.

Por que houve um estouro da bolha imobiliária em Dubai? Dubai era a personificação do boom imobiliário usando crédito barato, com os incorporadores tomando emprestado a juros baixos para financiar projetos de construção grandiosos.

ATRAÇÃO DE CELEBRIDADES

Os projetos para transformar o país num centro financeiro e turístico atraíram milionários e compradores de casas de veraneio, seduzidos pelas residências em oferta, elevando rapidamente os preços que alimentaram ainda mais o boom da construção.

Por que tantas celebridades têm residências ali? O sol, o mar, as compras. E as taxas muito baixas para os residentes permanentes. Que outra razão é preciso?

Dubai cortejou muitos grandes nomes, como os astros do futebol britânico Michael Owen e David Beckham, a supermodelo Naomi Campbell e o ator Denzel Washington, para adquirirem vilas que são verdadeiros palácios na Ilhas das Palmeiras, vistas como um símbolo de status.

*Julia Finch é jornalista

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