'Por que países ricos não taxam petróleo?', diz Lula

Ao lado de Ban Ki-Moon, presidente participa de reunião da ONU na África

Da BBC Brasil, BBC

20 de abril de 2008 | 16h25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo a tarifa imposta ao etanol brasileiro por países desenvolvidos. "Quando lançamos a proposta de produzir biodiesel no Brasil, eu imaginava que não iríamos ter muitos adversários no mundo desenvolvido", disse Lula durante a inauguração de um escritório da Embrapa em Acra, capital de Gana.   Veja também: Biocombustível de alimento cria problema moral, diz FMI Amorim responde às críticas do Fundo Especial sobre a crise dos alimentos Os biocombustíveis podem afetar a produção mundial de alimentos? "Eu não consigo entender, por que os países ricos não falam mal do preço do petróleo. Quanto implica, no custo do alimento, um barril de petróleo a US$ 103? Por que os países ricos sobretaxam o etanol brasileiro e não taxam o petróleo?" O presidente voltou a defender os biocombustíveis da acusação de que eles estariam provocando um aumento internacional nos preços. Após a cerimônia na Embrapa, Lula discursou na abertura da reunião especial da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O presidente disse que "não há contradição entre a busca de fontes alternativas de energia e o desenvolvimento de padrões agrícolas que garantam a segurança alimentar". "Este é um desafio que estamos enfrentando com êxito em nosso País", disse Lula, segundo a agência oficial do governo. Ele também críticou o "a tentação dos países ricos em acentuar suas práticas protecionistas". "Os subsídios milionários pagos pelo Tesouro dos países ricos são como uma droga que entorpece e vicia seus próprios produtores, mas cujas maiores vítimas são os agricultores das nações mais pobres." O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que também participou da abertura da reunião, disse que se o atual aumento no preço dos alimentos não for contido, a crise pode afetar o crescimento e a segurança do mundo, prejudicando o combate à pobreza. "Nós corremos o risco de voltar à estaca zero", disse o secretário-geral em Gana durante a abertura. 'Assassinato em massa' Em Viena, na Áustria o relator especial da ONU para o direito ao alimento, Jean Ziegler, voltou a atacar a produção de biocombustíveis neste domingo. Ziegler disse em entrevista ao jornal austríaco Kurier am Sonntag que o ocidente é culpado pela "fome em massa", devido ao crescimento dos biocombustíveis, à especulação no mercado de commodities e aos subsídios para exportação agrícola da União Européia. Ziegler disse que os mercados de commodities estão trazendo "terror" ao mundo e que a inflação do preço dos alimentos é o equivalente a um "silencioso assassinato em massa". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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