Por quem os cardápios dobram

Não é só pela aparência de homem do mar, com pele bronzeada e respeitável barba branca, que o escritor americano Mark Kurlansky faz lembrar Ernest Hemingway. Talvez, por ele ter nascido próximo ao litoral, na Nova Inglaterra, ter sido pescador e rodado o mundo como correspondente internacional para os jornais Miami Herald, The Philadelphia Enquirer, Chicago Tribune e Internacional Herald Tribune, fica fácil imaginá-lo em alguma trama, como personagem de Hemingway.

Cíntia Bertolino, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2009 | 02h53

Antes de se tornar repórter, e viver na França, México e Caribe, Kurlansky foi dramaturgo. Ganhou prêmios com produções off-Broadway e, para garantir seu sustento, trabalhou como pâtissier, por quatro anos, em Nova York.

Nos anos 70, foi morar em Paris, como correspondente do Internacional Herald Tribune. Lá, influenciado pelo crítico gastronômico Waverly Root (1903-1982), descobriu que "bons escritores quando falam sobre comida, falam sobre tudo, sobre a vida em geral".

Apesar de ser reconhecido como um dos grandes food writers da atualidade, Kurlansky gosta de lembrar que tem uma carreira de jornalista on the road, viveu na Espanha no último ano da ditadura franquista e há mais de vinte anos navegou pelo rio Oiapoque na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa para uma reportagem sobre o contrabando na região. "Era um lugar selvagem", comentou.

Mas a gastronomia virou seu assunto favorito, para estudar, escrever e traduzir. É dele a versão em inglês Le Ventre de Paris, de Émile Zola, seu herói da adolescência. O romance de Zola se desenrola com o mercado Les Halles como cenário, com suas bancas de frutas, legumes e carnes. Como autor, seu primeiro livro sobre o tema, Bacalhau, publicado em 1997, ganhou o prêmio James Beard de melhor do ano. Veja alguns de seus livros gastronômicos abaixo.

A Grande Ostra - Cultura, História e Culinária de Nova York acaba de ser lançado em português. Nasceu de um pedido do jornal The New York Times para que ele escrevesse um artigo sobre o bivalve mítico, inspirador de receitas suculentas e bons textos, como o clássico Consider the Oyster, da autora americana M.F.K. Fisher (1908-1992).

Nas pesquisas para o artigo, Kurlansky descobriu que Nova York, remotamente, fora conhecida como cidade de ostras fenomenais. E que entre montanhas de conchas centenárias repousava silenciosamente uma parte importante de um passado gastronômico desconhecido. "Havia tanta coisa interessante para falar sobre a relação dos nova-iorquinos com as ostras que simplesmente decidi escrever o livro. Por isso e por acreditar que sempre há algo de sedutor na ideia de ressuscitar história perdida". Kurlansky acaba de lançar nos Estados Unidos Food of a Young Land (veja logo abaixo). De Nova York, ele falou ao Paladar, por telefone.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.