Portal gratuito iG deve ser vendido

A Salomon Brothers está negociando a venda do iG, o maior provedor gratuito da Internet brasileira, para um grupo estrangeiro. A informação é de um dos acionistas e foi confirmada hoje pelo presidente do iG, o publicitário Nizan Guanaes.Cauteloso, Guanaes preferiu, no entanto, descartar a venda, dizendo tratar-se de uma fusão na qual os atuais acionistas continuariam no comando. "Será a AmBev da internet" disse, referindo-se à fusão entre a Brahma e a Antarctica. Sinais dos tempos, também no Brasil, de que os maiores conglomerados de alta tecnologia passam por um período de ajuste. Segundo o acionista consultado pela Agência Estado, um grupo estrangeiro fez uma oferta firme de compra há um mês, interessado em fincar sua bandeira no mercado brasileiro.O novo controlador, admite o acionista, poderá até dar fim à marca e ao cachorrinho que a representa, passando a usar a sua, internacional, e com fortes operações de e-commerce no mundo. Uma hipótese que Guanaes não leva em conta. Esse mesmo acionista descartou que o principal interessado no iG fosse a americana AOL, o maior provedor do mundo, que parece ter um inabalável fôlego para ganhar mercado no País.DesentendimentosA confirmação da operação de venda por Guanaes põe fim também a boatos, que circularam durante toda a semana, de desentendimentos entre os sócios. Os controladores do iG são o Garantia, de José Paulo Lehman, e o Opportunitty, de Daniel Dantas, além do próprio Nizan Guanaes. Segundo um dos envolvidos nas discussões, o publicitário baiano, que trocou oficialmente a agência DM9DDB há seis meses pelo IG, já teria demonstrado interesse em deixar o provedor.Com boas e antigas relações com as Organizações Globo, um amigo do publicitário garante que ele estaria de malas prontas para a Globo.com., o que só não ocorreu por pressão dos sócios financeiros, que teriam exigido que Guanaes dividisse a conta do que foi gasto até agora com o iG.Como a expectativa dos acionistas é a de que a Salomon Brothers conclua o negócio no curto prazo, o iG seria fortalecido, agora, para ter ainda um preço mais atraente. A proposta inicial feita pelo interessado no iG teria sido de US$ 900 milhões, mas os sócios acreditam que o ativo pode valer mais.Balde de água friaUm dos baldes de água fria no negócio tem a ver com a restrição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que o Opportunitty fique como acionista da Telemar, a operada de telefonia fixa que cobre 16 Estados, incluindo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.Com essa participação, o sócio do iG conseguiria recursos por meio do repasse de parte da tarifa paga pelo usuário do provedor à Telemar, a exemplo do que ocorre no exterior. Hoje, o Opportunitty controla a Brasil Telecom, também sócia do iG.Essa seria uma forma de remunerar o provedor que é gratuito e deve faturar este ano US$ 30 milhões. Porém, gastou US$ 125 milhões para lançar o provedor e teria uma despesa mensal de US$ 7 milhões, pelos cálculos de um analista do setor, sediado em Nova York, para manter o provedor no ar. A importância da receita telefônica pode ser mensurada pelo total movimentado em São Paulo com a Telefônica.Um executivo do iG calcula que o provedor gratuito representa um movimento de US$ 400 milhões em tráfego para a operadora. O que explica o interesse, em todo o mundo, das companhias telefônicas em se aliarem, por meio de controle ou participação em projetos de internet, a exemplo do Terra com a Telefônica e o Zip.Net com a Portugal Telecom.

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