Portugal: Brasileira diz ter sido forçada a confessar crime

Ana Virgínia é acusada de ter matado a criança antes de tentar suicídio.

Jair Rattner, BBC

14 de fevereiro de 2008 | 10h45

A baiana Ana Virgínia de Morais Sardinha se declarou inocente durante a primeira audiência do seu julgamento, na quarta-feira, em Portugal, e disse que foi forçada pela polícia a confessar que matou seu filho Leonardo, de 6 anos, em julho de 2007 em Lisboa. Ana Virgínia foi formalmente acusada de homicídio qualificado pela Justiça portuguesa em janeiro e na primeira audiência do julgamento ela disse que queria "apenas que o filho adormecesse". Segundo declarações divulgadas pelo jornal português Correio da Manhã, ela afirmou ainda ter sido levada a confessar o crime. "Eles fizeram-me confessar tudo, acabei por confessar tudo porque queria ver o meu filho. O advogado disse-me que se confessasse tudo ia acabar bem. Caí numa cilada", disse a brasileira. A tese da acusação é que Ana Virgínia teria provocado a morte do filho com uma dose excessiva do remédio para epilepsia Trileptal e depois tentado o suicídio. Ainda segundo essa tese, ela estaria abalada emocionalmente por causa do fim do relacionamento com o namorado. AcusaçõesA promotoria apresentou como parte da acusação mensagens de celular que ela teria enviado para o ex-namorado dizendo que tinha dado o excesso de medicamento à criança e que depois iria se suicidar. Nas suas declarações, Ana Virgínia disse que apenas tinha dado ao filho meio frasco do medicamento. Ainda segundo ela, a intenção era que a criança dormisse para fazer a viagem - o menino estaria agitado porque não queria deixar o país. Depois de dar o medicamento à criança, ela teria tomado outros dois frascos do remédio e misturado com vinho.Segundo Ana Vírgínia, quando confessou a intenção de matar o filho ela pretendia apenas ser liberada para ver o seu corpo. A acusação afirma que o motivo do homicídio foi a rejeição por parte do namorado português, a quem Ana Virgínia havia conhecido pela internet. Ele teria sido a razão pela qual ela deixou o Brasil e comprou um apartamento na cidade de Alenquer, a 40 quilômetros de Lisboa.Em Portugal, o homicídio qualificado - que corresponde ao homicídio doloso no Brasil - prevê, em caso de condenação, uma pena que vai de 12 a 25 anos de prisão. A expectativa é que o julgamento possa ser longo. Nesta sexta, testemunhas que vieram do Brasil prestarão depoimento, além de seu ex-namorado português. O caso de Ana Virgínia gerou grande repercussão em Portugal e na Bahia, Estado natal da brasileira, porque a família e advogados afirmaram que ela sofreu abusos na prisão. As acusações foram investigadas pelas autoridades portuguesas, que negaram os abusos. Em uma visita recente ao país o ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou a discutir o caso com seu colega português.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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