Portugueses esperam escapar de contágio grego

Conscientes de que Portugal é o próximo elo fraco da zona do euro, os portugueses estão acompanhando cada acontecimento na crise da Grécia com uma atenção que beira a obsessão.

AXEL BUGGE, REUTERS

07 de outubro de 2011 | 13h22

Enquanto muitos estão temerosos e pessimistas, também há uma determinação crescente para evitar cometer os mesmos erros de Atenas e proteger Portugal de um contágio. Isso pode ser crucial se, como muitos economistas preveem, a Grécia der calote em suas dívidas.

"Temos muito trabalho para compensar os erros do passado e agora temos que arregaçar as mangas e partir para isso, ou então cairemos na situação da Grécia", disse Manuel dos Santos, 59, dono de restaurante em Lisboa.

Portugal foi o terceiro país da zona do euro, após Grécia e Irlanda, a buscar um resgate financeiro. O país recebeu 78 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional em maio, quando o rendimento de seus bônus subia fortemente.

O novo governo de centro-direita do Partido Social Democrata promoveu amplos cortes de gastos e aumentos de impostos para cumprir as metas orçamentárias definidas no plano de resgate. Isso levou a uma recessão profunda, que pode durar ao menos até o ano que vem.

As perspectivas para a Irlanda parecem estar melhorando, com os juros dos bônus em queda, o que deixa Portugal como o último país resgatado lutando decisivamente para se distanciar da Grécia. Não há um dia que editoriais de jornal, políticos e canais de televisão não façam um alerta para um contágio grego.

"O que vemos na Grécia pode muito bem ser uma prévia do que pode acontecer em Portugal", escreveu esta semana Bruno Proença, diretor-executivo do jornal de negócios Diário Econômico.

Ele escreveu que um "ciclo vicioso" de austeridade seguida por recessão profunda, exigindo mais cortes orçamentários como na Grécia, é um grande risco a ser evitado a todo custo.

Elementos desse ciclo já podem ser vistos, como o déficit nas contas orçamentárias deste ano que levou a medidas adicionais de austeridade, incluindo um tributo extraordinário de 50 por cento sobre bônus de fim de ano que pode prejudicar o consumo em 2012.

O governo deve detalhar o orçamento de 2012 nos próximos dias. O Banco de Portugal alertou que mais ações fiscais serão necessárias para atender as metas do resgate.

Ainda não aconteceram grandes greves em Portugal, apenas protestos de rua pacíficos. A analista política Marina Costa Lobo pondera que os portugueses não têm tradição de protestos sociais em massa. Há também amplo consenso político para uma reforma econômica profunda.

"Acredito que há uma clara consciência de que grandes riscos ainda existem, que precisamos escapar do que está acontecendo na Grécia," afirmou Costa Lobo.

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