Portugueses fazem greve contra medidas de austeridade

Trabalhadores portugueses iniciaram nesta quinta-feira uma greve geral de 24 horas contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo para obter um resgate financeiro internacional.

ANDREI KHALI, REUTERS

24 de novembro de 2011 | 08h58

A paralisação afeta aviões, trens e serviços públicos. "A greve é geral, o ataque é global!", gritavam manifestantes em um piquete no aeroporto de Lisboa, referindo-se àquilo que os sindicatos veem como um ataque aos direitos trabalhistas.

A chamada "troika" de investidores - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - exigiu que o governo centro-direitista demita funcionários públicos, eleve impostos e reduza salários, como contrapartida para a concessão de uma ajuda de 78 bilhões de euros (110 bilhões de dólares).

O país, com 11 milhões de habitantes, vive sua pior crise em várias décadas, refletindo a situação de outras nações endividadas da zona do euro. O governo anterior, socialista, caiu em março, depois de não conseguir aprovar no Parlamento o seu próprio pacote de austeridade, vendo-se obrigado a pedir socorro internacional.

Em Lisboa e no Porto, todos os voos internacionais foram cancelados, segundo o site da ANA (autoridade aeroportuária). Apenas serviços mínimos ligando Portugal continental às ilhas da Madeira e Açores foram mantidos.

Em Oeiras, nos arredores de Lisboa, a polícia precisou escoltar caminhões municipais de lixo para que atravessassem um piquete, mas não houve relatos de violência. A Justiça ordenou que os serviços essenciais sejam mantidos durante a greve.

"Com o que a troika está a fazer aqui, penso que temos razões para a greve. Pago minha previdência social desde 1981, por que vou ficar sem parte do meu bônus de Natal? Penso que está errado", disse o maquinista Carlos Silva, de 45 anos.

Portugal foi o terceiro país da zona do euro a pedir resgate, depois da Grécia e da Irlanda, e agora se encaminha para a sua pior recessão desde a redemocratização, em 1974. A previsão é que a economia encolha 3 por cento no ano que vem.

Para reduzir o déficit, o governo determinou medidas profundamente impopulares, como reduções nos bônus de fim de ano para todos os trabalhadores, e cancelamento de férias e bônus de fim de ano para o funcionalismo público no ano que vem.

As reformas incluem também cortes em todas as áreas, da saúde à TV pública, além de reformas nas leis trabalhistas e ampliação da jornada de trabalho em meia hora diária.

Há semanas as ruas de Lisboa estão tomadas por cartazes convocando a greve, embora o governo insista que não há solução para a crise que não exija medidas dolorosas.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho diz que a prioridade do país é controlar a crise da dívida. "Cabe a mim tentar mobilizar os portugueses para a ação todos os dias, para contribuir com a transformação de Portugal", disse.

Pelo pacote da "troika", Portugal precisa reduzir seu déficit orçamentário de quase 10 por cento do PIB em 2010 para 5,9 por cento neste ano. Para 2012, Lisboa promete levar o déficit a 4,5 por cento.

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