PÓS-CRISE?-Investimento e crédito devem compensar consumo no PIB

O PIB do segundo trimestre deve refletir as medidas anticíclicas adotadas pelo governo, efeito que tende a perder força daqui em diante, segundo o economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor do Banco Central, Ilan Goldfajn.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

10 Agosto 2009 | 21h42

Para ele, a fatia menor do consumo das famílias na expansão da economia, em função da queda na massa salarial, tende a ser compensada pela recuperação gradual do investimento e do crédito.

"Os dados de confiança do empresário sugerem que o investimento deve voltar a partir do terceiro trimestre e o crédito também vai ajudar", disse Goldfajn à Reuters.

Em relatório liberado nesta segunda-feira, o Itaú reduziu a estimativa de contração da economia brasileira em 2009, de 1 para 0,7 por cento, ao mesmo tempo em que elevou a projeção de crescimento para 2010 de 4 para 4,3 por cento.

E, embora o relatório tenha também trazido provisões mais otimistas para a economia mundial no período 2009-10, o economista-chefe do Itaú considera que o setor externo será o principal limitador de expansão da economia brasileira.

"O mundo não será mais tão benevolente conosco como foi até meados do ano passado", disse Goldfajn na entrevista.

Por isso, o economista considera que o governo pode voltar à carga para dar sustentação à retomada, irrigando a economia. Um dos canais poderia ser o reajuste maior do salário mínimo.

No entanto, para evitar uma piora muito acentuada nas contas públicas que o tornaria alvo de críticas em ano de eleição presidencial, o governo pode preferir equilibrar suas medidas anticíclicas, tomando ações para atrair mais investimento privado.

"Eu gostaria de ver medidas pró-investimentos", disse.

A grita de empresários por incentivos, diz Goldfajn, tende a ganhar força especialmente dos exportadores, grupo que tende a enfrentar mais desafios, em meio à combinação de real valorizado e economia mundial enfraquecida.

Dessa forma, avalia o economista, os incentivos permitiriam contrabalançar a pressão internacional negativa, já que a economia mundial tende a crescer abaixo do potencial pelo menos até o final de 2010.

"É importante prestar atenção às restrições internacionais, que serão o principal fator de restrição de crescimento do PIB daqui pra frente", concluiu.

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