Posição da USP em ranking não anima analistas

A posição da Universidade de São Paulo (USP) melhorou no ranking da Times Higher Education (THE) e mereceu rasgados elogios da revista The Economist já no subtítulo do artigo divulgado ontem: "quem dera mais instituições de ensino superior na América Latina fossem parecidas com a USP".

ALEXANDRE GONÇALVES, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2011 | 03h02

Mas pesquisadores apontam que o desempenho acadêmico do País não reflete os investimentos no ensino superior. Mesmo a USP, única universidade brasileira a figurar entre as 200 primeiras na 178.ª posição, estaria aquém do desejável.

A pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da USP, Elizabeth Balbachevsky, aponta a existência de uma autonomia mal-entendida que, na prática, significa apenas ausência de comprometimento com as justas demandas da sociedade que financia o ensino universitário.

Elizabeth aponta o corporativismo de professores, funcionários e alunos como obstáculo a qualquer tentativa de tornar a gestão universitária mais profissional e eficiente. "E nenhum governante quer mexer nisso porque os dividendos políticos demoram para aparecer, enquanto os custos são imediatos e altos."

Ela acredita que a comunidade universitária deveria combinar com a sociedade as ações prioritárias que receberiam os investimentos públicos, em um modelo parecido com o adotado nos países do norte da Europa.

Em 2005, a USP recebeu do Tesouro paulista R$ 2 bilhões. No ano passado, foram R$ 3,4 bilhões, um aumento de 72%.

Marcelo Hermes Lima, da Universidade de Brasília (UnB), comparou o desempenho da USP com Stanford. Ele aponta que o aumento dos recursos traduziram-se com sucesso em um aumento no número de publicações. Em 2002, a USP publicou 2.531 artigos científicos indexados na Web of Science. Em 2009, foram 6.577, um salto de 160%. No período, Stanford passou de 4.565 para 6.320, ou seja, um aumento de 38%. O impacto da instituição brasileira, porém, é menor. O número de citações por artigo no mesmo período é três vezes maior para Stanford.

"A USP tem ótima infraestrutura e gente muito inteligente. Mas há uma política nefasta no País, não só na USP, que coloca toda ênfase em publicar e não em expandir a fronteira do conhecimento", diz Lima.

O cientometrista Rogério Meneghini aponta que seria conveniente internacionalizar a ciência brasileira para aumentar o impacto. "Ainda há pouca cooperação. Mesmo na USP." Ele e Elizabeth concordam que seria importante criar bons mecanismos nacionais para avaliar o desempenho - e a vocação - das universidades brasileiras.

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