Potássio do Brasil possui reserva para 18 anos de consumo--fonte

A Potássio do Brasil, empresa brasileira com sócios australianos e canadenses, possui uma reserva de classe mundial de minério de potássio no Amazonas que poderia suprir sozinha o consumo brasileiro por pelo menos 18 anos, considerando a demanda atual do país, grande importador do insumo para fertilizantes.

SABRINA LORENZI, Reuters

22 de março de 2013 | 12h14

Estudos recém-concluídos, que serão anunciados nas próximas semanas, revelam jazidas totais de pelo menos 500 milhões de toneladas de minério de potássio em uma de suas áreas de exploração, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

O anúncio da Potássio do Brasil, que tem entre os sócios o banco de investimento Forbes & Manhattan (com sede no Canadá), será feito em meio à suspensão pela Vale do projeto de potássio Rio Colorado, na Argentina, cuja produção seria destinada a garantir a oferta da importante matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes ao Brasil.

O país, uma potência agrícola, importa cerca de 90 por cento das suas necessidades de potássio e busca formas de ser menos dependente de importações.

De olho nesse mercado, a Potássio do Brasil pretende começar a produzir, entre 2017 e 2018, de 2 milhões a 4 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, a partir de uma mina no município de Autazes, em plena floresta Amazônica, disse a fonte. As necessidades atuais do Brasil são de 7 milhões de toneladas ao ano.

Considerando uma estimativa conservadora de teor de cloreto de potássio na mina, de 25 por cento, a empresa teria em mãos recursos totais passíveis de produção de no mínimo 125 milhões de toneladas, disse a fonte, que pediu para não ser identificada. A empresa, entretanto, já encontrou recursos com teor de 44 por cento em alguns trechos do depósito, acrescentou.

A vida útil da mina dependerá do tamanho da produção, disse. Procurada, a empresa não comentou oficialmente a informação.

FINANCIAMENTO

Para financiar o projeto, cujos investimentos poderão variar de 2 bilhões a 3,5 bilhões de dólares, a Potássio do Brasil quer abrir capital no mercado brasileiro.

A empresa pretende realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no próximo ano para captar de 500 milhões a 1 bilhão de dólares, disse a fonte.

O tamanho do projeto e a capacidade de produção dependerão das condições de financiabilidade.

A empresa também pretende recorrer a outras fontes de financiamento, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Um apoio do banco de fomento a projetos de potássio não deverá ser difícil, já que uma orientação do governo federal é justamente apoiar a produção de fertilizantes para substituir importações, segundo representantes do setor.

O governo já tem as informações sobre as jazidas e deve dar aval ao projeto como forma de ajudar o Brasil a reduzir as importações, segundo a fonte. "As relações com o governo são as melhores possíveis", disse.

Ao contrário do que ocorre com outros segmentos da mineração, as outorgas para pesquisar e explorar potássio e fosfato estão sendo emitidas. Outras atividades estão travadas porque o Planalto decidiu aguardar o marco regulatório da mineração para liberar as concessões de lavra.

Sócios da Potássio do Brasil venceram em 2008 uma licitação da Petrobras para exploração de Fazendinha, reserva vizinha à de Autazes. Mas o processo foi interrompido pelo governo na época sob alegação de que a política para o setor seria revista.

Enquanto aguardavam a decisão do governo, alguns sócios da empresa adquiriram outros direitos minerários na região, em áreas bem próximas às licitadas. E, logo na primeira perfuração, a Potássio do Brasil comprovou o potencial de grande reservas.

DESAFIOS

Apesar do grande potencial produtor, a exploração de potássio na região amazônica enfrenta desafios ambientais e de infraestrutura. Um dos desafios é o abastecimento energético das plantas, que consomem quantidade expressiva de eletricidade.

O secretário de Mineração do Amazonas, Daniel Nava, que acompanha de perto as pesquisas, disse que com a inclusão da região no Sistema Interligado Nacional de energia (SIN) estará garantido o abastecimento das futuras plantas na região.

A interligação completa da região amazônica ao Sistema Interligado Nacional (SIN) deve acontecer este ano, segundo previsão do governo federal.

"Se tivéssemos planta, poderíamos abastecer o país (com potássio) por 100 anos", afirmou Nava, em entrevista por telefone, com base nas recentes descobertas do nutriente na região.

Outro problema é a eliminação de rejeitos da exploração de potássio, segundo especialistas do setor.

Mas Nava e a fonte que conhece o projeto da Potássio do Brasil dizem que os rejeitos serão eliminados por navio no primeiro ano de operação da planta. Nos anos seguintes, conforme for extraído o potássio da mina, em seu lugar poderá ser colocado o rejeito, disseram.

A logística, segundo eles, é privilegiada pela localização das jazidas, às margens do Rio Madeira, o que facilitará o transporte do produto por hidrovia.

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