Potências europeias pressionam ONU a condenar a Síria

Rússia e China podem não apoiar solicitação, já que têm criticado intervenções na região

Reuters

25 de abril de 2011 | 16h58

NOVA YORK - O Reino Unido, a França, a Alemanha e Portugal pediram ao Conselho de Segurança da Organização da Organização das Nações Unidas (ONU) que condene a violenta repressão da Síria contra manifestantes e exija moderação do governo, afirmaram diplomatas do conselho nesta segunda-feira, 25.

 

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Não estava claro, porém, se Rússia e China iriam apoiar a solicitação. Os dois membros permanentes do Conselho, que detêm poder de veto, têm apresentado críticas cada vez maiores à intervenção na Líbia, apoiada pela ONU, para proteger os civis. Segundo diplomatas do órgão, a preocupação de Moscou e Pequim é de que a operação tenha como finalidade derrubar o líder líbio Muamar Kadafi. "Gostaríamos que os membros do conselho condenassem a violência na Síria e pedissem moderação", disse à Reuters um diplomata sob a condição de ficar anônimo.

 

Ao menos 18 pessoas foram mortas nesta segunda quando soldados e tanques sírios invadiram a cidade de Deraa, no sul do país, disse o proeminente ativista Ammar Qurabi. As potências ocidentais, que lançaram suas armas contra as forças de Gaddafi citando o princípio da ONU de responsabilidade de proteger os civis, têm se limitado por enquanto a condenar verbalmente as mortes de centenas de pessoas na Síria.

 

 

Outro diplomata na ONU disse que os quatro membros europeus do Conselho fizeram circular um comunicado preliminar aos outros 11 Estados membros que também apóia o pedido do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, feito no fim de semana, para que seja aberta uma investigação independente sobre as mortes dos manifestantes. Os europeus esperam que uma condenação pelo Conselho de Segurança aumente a pressão sobre a Síria para que o país interrompa a repressão contra os manifestantes antigoverno, afirmam os diplomatas.

Os EUA afirmaram na segunda-feira que avaliam a possibilidade de impor "sanções específicas" contra o governo do presidente Bashar al-Assad em resposta à violenta repressão aos manifestantes. No momento, não há uma movimentação para debater a possibilidade de a ONU impor sanções contra a Síria, afirmou um diplomata.

Rússia e China indicaram que serão contrários ao conselho debater outro conflito que consideram ser uma questão interna. O conselho não conseguiu chegar a um acordo para emitir uma declaração sobre o levante de outro país árabe, o Iêmen.

A proposta de declaração apresentada pelos europeus sobre a Síria ressalta que a situação tem relevância para a perspectiva de paz e segurança em todo o Oriente Médio, afirmou um diplomata. A referência à dimensão internacional da violência poderia deixar mais difícil para Rússia e China recusarem-se a discutir o caso da Síria.

O debate sobre o assunto Síria no Conselho também pode causar desconforto para Beirute. O Líbano, que é o único membro árabe do conselho, tem tido uma relação problemática com o país vizinho e a influência síria permanece forte ali.

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