PP tenta traduzir sucesso municipal em projeção nacional

Embalado pelo bom número de prefeituras conquistadas no primeiro turno das eleições, o Partido Progressista (PP) tenta transformar o sucesso municipal em trampolim para um lugar de maior destaque no cenário político nacional. No domingo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legenda conquistou 552 prefeituras, só ficando atrás do PMDB (1.196) e do PSDB (782). O PT elegeu 551 prefeitos no primeiro turno. O PP obteve também a terceira colocação no ranking de eleições de vereadores, com 5.131 vagas obtidas, contra 8.492 do PMDB e 5.913 dos tucanos. Foram eleitos 4.173 vereadores petistas. Os números devem ainda ser atualizados pelo TSE, pois a Justiça Eleitoral julgará nos próximos dias processos de cassação de candidaturas. "Hoje, o PP é o terceiro maior partido do Brasil", comemorou o presidente da sigla, senador Francisco Dornelles (RJ), em entrevista à Reuters. O desafio da legenda, entretanto, será árduo. Segundo líderes do partido, embora forte em pequenas e médias cidades, o PP ainda carece de maior musculatura nos grandes centros urbanos. Em São Paulo, por exemplo, o deputado Paulo Maluf vem perdendo fôlego nas eleições e, segundo críticas de colegas de partido, em vez de fortalecer o PP, prioriza projetos pessoais. A assessoria de imprensa de Maluf informou que ele não poderia falar por estar fora de São Paulo. Por outro lado, argumentou Dornelles, a fidelidade partidária imposta recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tende a aumentar as chances que a sigla tem de reforçar sua representatividade no Congresso e nos governos estaduais. "Outrora, quando não se tinha fidelidade partidária, podia haver prefeitos e vereadores de partidos apoiando candidatos de outros", explicou o senador. "Com a fidelidade partidária, a eleição de prefeitos e vereadores é um parâmetro para eleições futuras." A estratégia do presidente do PP é reforçar a militância do partido para fortalecer a ligação entre políticos e suas bases eleitorais -- produtores rurais e pequenos empresários -- e ampliar o número de candidatos da legenda. O potencial de mobilização é grande. O PP tem 1,26 milhão de filiados. Entre os partidos do país, só perde para o PMDB, que soma 2,09 milhões de inscritos em seu quadro. OLHO EM 2010 Nos últimos anos, Dornelles e demais líderes da sigla percorreram o país com o objetivo de estreitar os laços entre a Executiva Nacional e os diretórios estaduais e municipais. O mesmo será feito no ano que vem. A partir de janeiro, serão realizados seminários em cada Estado para mobilizar prefeitos e vereadores e realizar um debate sobre a linha e programação do partido. "Isso tudo olhando para frente, 2010 e 2011, para que possamos ter influência nas eleições estaduais e federais", destacou o senador. "Quero que a cúpula de Brasília represente o movimento de base, e não que ela diga para a base o que ela deve fazer." Atualmente, Dornelles é o único senador do partido, que tem também um só governador -- Alcides Rodrigues Filho (GO). A bancada do PP na Câmara conta com 40 deputados, uma vice-liderança do governo na Casa e outra no Congresso. No Executivo, a sigla controla o Ministério das Cidades, com Márcio Fortes. "O partido tem um bom espaço e está bem atendido. Eu não trocaria o nosso espaço pelo de outros partidos que têm a mesma estrutura política que a nossa", comentou à Reuters o deputado Ricardo Barros (PP-PR), um dos vice-líderes do governo na Câmara. Apesar de integrar a base de apoio ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a origem do PP é bem distante da esquerda. A legenda é um desdobramento do Partido Democrático Social (PDS), nome que a Arena, partido de sustentação da ditadura militar, adotou após a redemocratização. Em 1993, o PDS se fundiu com o Partido Democrata Cristão, criando o Partido Progressista Reformador (PPR). Dois anos depois, o PPR se uniu ao Partido Progressista (PP), criado em 1994, para formar o Partido Progressista Brasileiro (PPB), que integrou a base de sustentação do governo Fernando Henrique Cardoso. Em 2003, a legenda decidiu mudar de nome. Abandonou o "Brasileiro", passou a se apresentar como PP e aderiu à coalizão do governo Lula. Para 2010, no entanto, o destino do PPB ainda está indefinido. Segundo Dornelles, o partido promoverá discussões para decidir se adere ao projeto de sucessão capitaneado pelo presidente Lula. "Está em aberto", afirmou o senador.

FERNANDO EXMAN, REUTERS

09 de outubro de 2008 | 19h42

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