PR anuncia que fará oposição à Dilma no Senado

O líder do PR no Senado, Blairo Maggi (MT), anunciou nesta quarta-feira que o partido fará oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff na Casa.

REUTERS

14 Março 2012 | 21h03

"Nós estamos nesse momento na oposição. Não significa oposição raivosa", disse Maggi a jornalistas no Congresso. "Já informei à ministra Ideli (Salvatti, Relações Institucionais) que o governo não conte mais com o PR", acrescentou.

A medida, porém, não se estende à bancada da Câmara, que deve se reunir na próxima semana para definir sua relação com o governo.

"Essa não é uma decisão do partido. É uma decisão do Senado", disse à Reuters o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG).

Apesar de ser uma atitude isolada por enquanto, elevam-se os riscos para o governo no Congresso por dois motivos principalmente. Um deles é que outras legendas aliadas descontentes podem seguir o exemplo do PR para pressionar a presidente.

Outro motivo é que o PR tem sete senadores e sua migração para a oposição pode, por exemplo, permitir a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) na Casa. Hoje, os partidos de oposição não reúnem as 27 assinaturas necessárias para a criação de CPIs.

Maggi garantiu, no entanto, que o partido irá se opor ao governo de maneira "responsável", e que não deve votar contra o projeto que regulamenta a previdência complementar a servidores públicos, o chamado Funpresp, tido como prioritário pelo Planalto.

A decisão de ir para a oposição foi tomada porque o PR não teve sua demanda -a de ter um nome que represente o partido no Ministério dos Transportes- atendida pelo governo.

"O PR quer voltar ao Ministério dos Transportes e não tem essa possibilidade", afirmou o líder. "Nós não vamos negociar com o governo para a volta do PR, uma vez que as portas estão fechadas."

A situação do PR dentro da base aliada já estava complicada desde o ano passado, após a demissão do então ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, que preside a legenda, e da saída de vários indicados da sigla de cargos ligados à pasta.

À época, parlamentares da legenda chegaram a ameaçar deixar a base governista e depois anunciaram que atuariam de forma independente no Congresso.

A decisão anunciada por Maggi nesta quarta foi tomada após uma reunião com Ideli em que, segundo uma fonte do governo, o partido foi informado que não ocuparia no curto prazo um cargo no ministério.

O PR pleiteava voltar ao comando do Ministério dos Transportes, apesar de o atual ministro, Paulo Sérgio Passos, ser filiado à legenda. Apesar disso, ele é considerado pelos parlamentares uma escolha unilateral da presidente, sem consulta ao comando partidário.

A presidente prefere acomodar o PR em outros espaços no governo, mas não no primeiro escalão, disse a fonte do governo sob condição de anonimato.

A tensão no Senado também pode ter sido agravada após a escolha de senador Eduardo Braga (PMDB-AM) para liderar o governo na Casa. Nascimento também é senador pelo Amazonas e adversário político de Braga no Estado.

Maggi negou, no entanto, que a indicação tenha contribuído para a decisão.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello e Jeferson Ribeiro)

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