Preço diferenciado do trigo desestimula produtor gaúcho

Cereal tipo brando, que predomina o plantio no Rio Grande do Sul, terá correção de 5%, metade do reajuste do trigo pão

Sandra Hahn, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2009 | 01h13

A política do governo de aplicar reajustes diferenciados a três tipos de trigo e desestimular o cereal brando, que predomina na produção gaúcha, deve provocar redução de área no Rio Grande do Sul. "É um tiro no pé", resume o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado, Rui Polidoro Pinto. Ao mesmo tempo, a medida exigirá adaptação das cooperativas e cerealistas para receber variedades em armazéns segregados, em busca do preço indicado nos produtos mais valorizados.

O reajuste do trigo pão de R$ 480/tonelada do tipo 1 na Região Sul para R$ 530 deve estimular o produtor a investir em sementes com essa característica, mas não há segurança de que o cultivo resultará em um cereal com as especificações necessárias no Rio Grande do Sul, alerta o assistente técnico da Emater Ataídes Jacobsen. A combinação da genética com o clima instável do RS representa um fator de risco, explica o especialista.

O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Sperotto, diz que o setor primário entregou ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, durante a Expodireto Cotrijal, documento em que pede que a produção gaúcha não seja "discriminada" na política do governo, se referindo à proposta de correção de 5% para o preço mínimo do trigo brando, para R$ 440/tonelada.

Embora diga que a reivindicação não foi sua, a indústria concorda com os reajustes indicados pelo governo. "Não sei se a política é a mais adequada, mas vai na direção certa", avalia o presidente do conselho deliberativo da Abitrigo, Luiz Martins.

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