Preço do boi chega a R$ 72 no RS

Com o grande abate de matrizes nos últimos anos, faltam bezerros para reposição e gado para abate segundo o FNP

Beth Melo, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2007 | 02h56

Na última sexta-feira a arroba do boi gordo foi negociada a R$ 72 - para pagamento em 30 dias, para descontar Funrural - na região de fronteira do Rio Grande do Sul, conforme apurou a pesquisa diária realizada pelo Instituto FNP, de São Paulo. Na opinião do diretor-técnico do instituto, José Vicente Ferraz, a reação no preço deve-se à falta de boi no mercado. ''''Há muito tempo vínhamos alertando sobre a grande quantidade de matrizes abatida nos últimos anos e as conseqüências no futuro'''', pondera. ''''O reflexo da ação está aí: faltam bezerros para reposição.'''' O valor da arroba do boi, que chegou a R$ 52, já acumula aumento de R$ 10 e, embora esteja aquém do ideal, na opinião de Ferraz essa reação abre perspectivas melhores para o pecuarista, que poderá retomar os investimentos na atividade. ''''Nesse cenário, a primeira estratégia do produtor é começar a reter mais matrizes e, em conseqüência, a oferta vai cair ainda mais.'''' Em São Paulo, a arroba do boi chegou a ser negociada a R$ 63, nas mesmas condições do Rio Grande do Sul, e a tendência é de alta, na avaliação de Ferraz. No mercado futuro, foram registrados negócios com a arroba do boi a R$ 62 para julho e a R$ 64 para outubro. ''''Nossa previsão é que em outubro a arroba do boi supere a marca de R$ 70 em São Paulo'''', aponta. CAPACIDADE OCIOSA Na expectativa de melhores preços e também para reestruturar a atividade, o pecuarista tem adotado a estratégia de venda compassada, o que tem refletido na oferta de gado terminado, segundo o consultor Leonardo Alencar, da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). O consultor atribui a valorização do boi no Rio Grande do Sul a negociações diferenciadas, em razão da qualidade dos lotes ofertados, para suprir a demanda dos frigoríficos. ''''Vários frigoríficos gaúchos estão operando com mais de 50% da capacidade ociosa, o que é um indício de falta de gado terminado'''', afirma, e acrescenta que a mesma situação ocorre em São Paulo, onde há frigoríficos com cerca de 40% da capacidade ociosa. O consultor da Scot lembra que a partir de outubro do ano passado o preço do boi começou a cair e iniciou a retomada de preços em janeiro deste ano, em plena safra. Para Alencar, a cotação do boi ainda tem o que subir, principalmente se considerar que o mercado futuro fechou negócios a R$ 65,50. No entanto, ele considera que o mercado futuro mostra cautela para outubro. E arrisca previsão, na sua opinião pessimista, de que a cotação da arroba deve subir pelo menos R$ 1 acima dos R$ 64, para descontar o Funrural, nível praticado em outubro de 2006 no mercado físico.

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