Preço estimula venda da próxima safra de soja do Brasil

As vendas antecipadas da próxima safra de soja do Brasil (2011/12) mostram ritmo acelerado, com produtores aproveitando os preços altos para comercializar parte da colheita que só terão no início de 2012, segundo levantamento da consultoria AgRural divulgado nesta segunda-feira.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

13 Junho 2011 | 17h13

Os produtores brasileiros tinham comercializado até 10 de junho cerca de 15 por cento da produção de 2011/12, segundo a consultoria, que aponta como o principal motivo para o elevado índice de vendas os bons preços ofertados pela oleaginosa, que estão cerca de 30 por cento acima dos registrados há um ano.

Esse índice de comercialização antecipada só foi obtido no levantamento da consultoria realizado em agosto de 2010. Não há dados comparativos ante junho do ano passado, pois o volume vendido naquela época não era representativo, segundo a AgRural.

"Até gaúcho anda vendendo soja futura", afirmou Rodrigo Nunes, analista da Agência Rural em Cuiabá (MT), que participou da elaboração do levantamento realizado em todas as regiões produtoras.

Os produtores do Rio Grande do Sul tradicionalmente são aqueles que vendem mais lentamente a sua safra, diferentemente dos do Centro-Oeste, que realizam grande parte de suas vendas antecipadamente para financiar a produção, geralmente em grandes áreas.

Mas o fato de até gaúchos já estarem vendendo algo da produção futura, na avaliação da Agência Rural, tem relação com o fato de os compradores estarem aceitando negociar apesar dos preços altos.

Os futuros da soja na bolsa de Chicago estão em patamares somente um pouco abaixo do recorde de mais de 16 dólares por bushel de meados de 2008. "Só que em 2008, quando a soja atingiu o recorde, não tinha comprador. Este ano é diferente, o preço está bom e tem liquidez", declarou Nunes.

A consultoria não quis entrar em detalhes sobre a previsão de colheita para a próxima safra, embora preliminarmente trabalhe com expectativa de um crescimento de área de 1 milhão de hectares ante a temporada anterior, para um novo recorde de 25 milhões de hectares.

Na recém-finalizada colheita 2010/11, quando a área plantada cresceu cerca de 700 mil hectares contra a anterior e as condições climáticas foram boas, o Brasil obteve a maior colheita da história: 75 milhões de toneladas, segundo o Ministério da Agricultura.

ESTADOS

Comercializar antecipadamente a safra também permite que os produtores travem vários custos, como as compras de fertilizantes, bastante avançadas no Centro-Oeste.

O Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, já comercializou 25 por cento da sua safra de soja antecipadamente, segundo a AgRural, seguido por Goiás (18 pct), Bahia (15 pct) e Paraná (15 pct).

Mas o gerente técnico e econômico da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Flávio Turra, não vê tanta disposição para os produtores paranaenses comercializarem a safra antecipadamente.

"O pessoal está apostando em preços melhores que os sinalizados no mercado futuro", disse Turra, considerando que na próxima temporada os agricultores dos Estados Unidos, os maiores produtores globais, terão de plantar mais milho e menos soja para reequilibrar os seus estoques, o que certamente elevaria as cotações da oleaginosa.

Já o Rio Grande do Sul aparece no levantamento da AgRural tendo comercializado 4 por cento da safra, um percentual visto pelo corretor da Brasoja Antonio Sartori como muito otimista.

"O produtor está capitalizado com as últimas safras, que foram cheias. O produtor vendeu bem e está sentado em cima", disse ele, observando que os gaúchos ainda têm cerca de 50 por cento da produção da safra 10/11 para vender.

No Brasil, segundo levantamento de outra consultoria, a Céleres, os produtores comercializaram até a ultima sexta-feira 70 por cento da safra 10/11, contra 64 por cento da mesma época do ano passado.

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