Preços mais baixos favorecem exportações brasileiras de minério de ferro

Preços internacionais de minério de ferro mais fracos estão levando fornecedores domésticos da China a cortar produção, o que pode levar o principal consumidor e produtor siderúrgico a depender mais de importações nas próximas semanas, dando sustentação ao mercado de fretes.

SILVIA ANTONIOLI E JONATHAN SAUL, REUTERS

31 de outubro de 2011 | 17h38

Segundo analistas, Brasil e Austrália, grandes produtores mundiais, deverão exportar mais minério de ferro para suprir a menor produção da China, reforçando a demanda por navios do tipo capesizes, de grande porte, que normalmente carregam cargas de 150 mil toneladas.

Os preços internacionais do minério de ferro caíram mais de 30 por cento desde setembro, incluindo uma queda recorde de 18 por cento na semana passada, com preços mais baixos de aço forçando as siderúrgicas chinesas a cortar a produção.

Os estoques de siderúrgicas estão diminuindo, contudo, e elas precisarão recompo-los nas próximas semanas.

Analistas esperam que elas se voltem para o mercado internacional em vez do produto local, mais caro e de menor qualidade.

Isto deve dar alguma sustentação para os navios que são usados para transportar minério de grandes mineradoras no Brasil e na Austrália, e pode também ajudar a impulsionar o uso de derivativos de frete.

"Logicamente, as siderúrgicas chinesas podem comprar mais minério de ferro por via marítima, devido à recente queda no preço ", disse Denny Sabah, analista de metais da trading Ronly, de Londres.

"Uma mina de minério de ferro chinesa, por exemplo, com um custo de produção de 140 dólares por tonelada está agora lutando para retirar o material".

Os preços internacionais do minério de ferro estavam em cerca de 117 dólares a tonelada, base custo e frete na China na sexta-feira, já bem abaixo de seu custo de abastecimento interno.

"O fornecimento interno chinês é muito flexível", disse o Macquarie minério de ferro e analista de aço Colin Hamilton.

Alguns produtores chineses têm custos tão elevados quanto 150-160 dólares por tonelada, e os custos para um quarto de toda a oferta chineses estão acima de 135 dólares por tonelada, segundo dados de Macquarie.

"No longo prazo, três meses mais, se tivermos um ambiente de menor preço minério de ferro, isso pode levar à substituição de importação na China mais como vimos uns anos de anos atrás ", disse Derek Langston, diretor sênior da consultoria e SSY Consultancy.

O minério de ferro detém a maior participação em volume, com cerca de 31 por cento dos embarques em navios capesize, seguido por carvão, que tem cerca de 29 por cento.

OS TRÊS GRANDES

"A combinação do deslocamento do minério doméstico, proibições de exportação da Índia e aumento da oferta devem dar suporte ao segmento capesize ", disse Nigel Prentis, chefe de pesquisa, consultoria e assessoria com o HSBC Shipping Services.

Fornecedores de minério de ferro indiano reduziram as exportações, por ora, porque eles estão sujeitos a um imposto de exportação que aumenta seus custos. Além disso, dificulta a competição com três maiores mineradoras do mundo de minério de ferro - BHP Billiton, Rio Tinto e Vale.

Quanto a estas grandes mineradoras, o baixo preço de ferro atual ainda está muito acima seus custos de produção, e elas disseram que vão continuar a produzir minério de ferro a pleno vapor e manterão seus planos de expansão.

"As grandes mineradoras continuam a ofertar grandes volumes de material a cada dia, o que tem levado os preços a caírem, enquanto as mineradoras indianas em comparação não reduziram seus preços para perto dos níveis atuais e estão de embarcando poucos navios de carga pouco ", disse Roddy Mann, trader sênior de minério de ferro da Metalloyd, de Londres.

"Nós precisamos ver os preços da China caírem abaixo de 60 dólares por tonelada antes das três importantes mineradoras brasileira e australianas, Vale, Rio Tinto e BHPB, se tornarem fornecedores inviáveis", disse um analista de commodities.

Tudo o que sabemos sobre:
MINERACAOMINERIOQUEDA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.