Prefeitura cobra universitário por depredação

A Prefeitura de São Paulo pretende cobrar do estudante de arquitetura Pierre Ramon Alves de Oliveira, de 20 anos, os danos que ele confessou ter causado, em depoimento à polícia, na sede da administração municipal, na região central da capital paulista, durante a manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) na terça-feira, 18. O caso é tratado pelo secretário de Negócios Jurídicos, Luís Fernando Massonetto, que deverá entrar com uma ação contra Oliveira se ele não arcar com os prejuízos espontaneamente.

LUCIANO BOTTINI FILHO, Agência Estado

21 de junho de 2013 | 08h28

A Secretaria de Governo Municipal fará um levantamento dos estragos provocados, individualmente, por Oliveira na tentativa de invasão à sede do Poder Executivo. Para isso, serão analisadas as imagens em que o estudante de arquitetura foi reconhecido. Após o relatório da secretaria, Oliveira será notificado para pagar a dívida. Se não quitar o débito, a Procuradoria-Geral do Município entrará com uma ação de cobrança.

Os outros envolvidos que forem identificados por atos de vandalismo também poderão ser processados, de acordo com o Executivo. A sede da gestão municipal, no Edifício Matarazzo, no Viaduto do Chá, é tombada pelo Patrimônio Histórico e teve portas e vidros atingidos por depredações e pichações no sexto ato do MPL. O Município constatou também perdas no Theatro Municipal, onde quatro bandeiras foram incendiadas.

Arrependido

O estudante, filho de um empresário do setor de transporte de máquinas, foi detido na noite desta quarta-feira, 19, por crime de dano qualificado, prestou depoimento e foi liberado. A polícia fez um pedido de prisão temporária, que foi negado pela Justiça. Na saída do Departamento de Investigações de Crime Organizado (Deic), Oliveira declarou-se arrependido pela conduta. "Peço desculpas a todos os manifestantes do Movimento Passe Livre. Vou responder pelos meus atos, mas estou de cara limpa e gostaria que as outras pessoas que participaram da depredação se entregassem à polícia."

O advogado do estudante, Gerson Bellani, afirmou que ele se prontificou a quitar a dívida, ao confessar o crime na delegacia. "Uma das consequências (do crime de dano) é o agente ressarcir a vítima. Ele já se manifestou que tem disposição de ressarcir o dano da Prefeitura", afirmou. De acordo com Bellani, o valor cobrado pelo Palácio do Anhangabaú será avaliado antes do pagamento. A defesa nega, porém, a acusação de incêndio a um carro da Rede Record de Televisão.

Assediado pela imprensa, Oliveira disse que se sente perseguido e confuso. Nesta quinta-feira, o universitário passou o dia fora de casa e até o começo da noite não havia conseguido marcar um encontro com o advogado. Equipes de televisão o procuravam em sua casa ao longo do dia, na Vila Ré, na zona leste de São Paulo. "Ele está com medo", disse Bellani.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Oliveira disse "que está sendo julgado por uma forma que ele não é". Segundo o estudante, a imprensa distorce a imagem dele.

A Polícia Civil já identificou outros quatro amigos de Oliveira, que também teriam participado dos atos de vandalismo. O Deic não confirmou se eles já haviam sido ouvidos até a noite desta quinta-feira. Conforme o advogado, Oliveira encontrou-se com amigos na manifestação, mas eles não participaram de atos de vandalismo. (Colaborou Marcelo Godoy). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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