Prefeitura de Maricá nega bloquear pista de aeródromo

Pilotos dizem que monomotor que caiu matando duas pessoas na segunda foi impedido de pousar pela presença de veículos da administração municipal

FÁBIO GRELLET, Agência Estado

22 Outubro 2013 | 20h36

Pilotos que precisam do aeródromo (pista de pouso, sem torre de controle nem equipamentos de navegação) de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, acusam a prefeitura da cidade de estacionar veículos da Guarda Municipal ao longo da pista para impedir sua utilização. Na segunda-feira, 21, um monomotor que pousaria no local caiu numa lagoa a oito quilômetros do aeródromo, matando os dois ocupantes.

A causa do acidente está sendo investigada pela Aeronáutica. Pilotos defendem, porém, que o avião foi impedido de pousar pela presença de veículos e uma pane teria impedido a aeronave de arremeter. A Prefeitura de Maricá nega o bloqueio da pista e informa que interditou para reforma áreas não usadas por aviões em tráfego.

O acidente de segunda-feira foi o segundo em 40 dias e o quinto desde o ano passado em Maricá. Em 11 de setembro passado, um monomotor caiu sobre o muro de uma casa no Parque Eldorado, área urbana do município. O piloto morreu e o segundo ocupante ficou ferido.

"A prefeitura aproveitou o acidente de setembro para interditar o aeródromo, e não quer que a pista seja usada. Vários colegas já tiveram problemas para pousar nessa pista. Um deles chegou a ser ameaçado com arma de fogo", disse o piloto privado Fernando Anselmo, de 26 anos. Ele é aluno do aeroclube de Maricá. Pretende se tornar piloto comercial.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Maricá, Lourival Casula declarou que "o aeródromo é da prefeitura, mas várias empresas usavam hangares e outros espaços sem pagar nada, porque em cerca de 40 anos nunca foi feita uma licitação. A prefeitura tem autorização da Secretaria de Aviação Civil para administrar áreas não usadas por aviões em tráfego, e decidiu reformar os hangares e escolher seus ocupantes por meio de uma licitação".

Segundo o secretário, "quem está reclamando são pilotos donos de escolas de instrução de voo, que ocupavam os hangares de graça". "A licitação para a reforma do aeródromo será em novembro. Depois vamos escolher quem poderá ocupar esses espaços. Mas nunca interrompemos a pista. Ela está sendo usada regularmente", afirmou.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que o aeródromo está aberto ao tráfego aéreo e o acesso é "de responsabilidade da prefeitura".

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