Prefeitura de São Paulo multa Renascer por uso de amianto

Além do uso indevido do material, igreja foi multada nos últimos dias por falta de licença de funcionamento

Da Redação, Agência Estado

27 Janeiro 2009 | 08h48

A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo multou a Igreja Renascer em Cristo em R$ 16 mil pelo uso de 1.600 telhas de amianto no telhado do templo do Cambuci, na região central. O material é cancerígeno e o seu uso é proibido no Estado há cinco anos. O teto da igreja desabou no dia 18 e, na tragédia, morreram nove mulheres e mais de cem pessoas ficaram feridas.   Veja também:  Oito imóveis vizinhos à Igreja Renascer seguem interditados  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer    Além da multa, a pasta intimou a Renascer a descartar adequadamente o material que contém amianto e informar à secretaria o destino desse material no prazo de 30 dias. As telhas de amianto devem ser depositadas em um aterro especializado para receber esse tipo de material. Até ontem, a intimação não havia sido entregue.   Essa não é a primeira multa aplicada à Renascer por uso de amianto. Na quinta-feira passada, o Ministério do Trabalho e Emprego multou a Igreja em R$ 2 mil. Nesse mesmo dia, a Subprefeitura da Mooca multou a Renascer em R$ 4.780 por não apresentar licença de funcionamento de um galpão na Mooca, zona leste, que seria usado para realização de cultos.   A Etersul, empresa contratada para fazer a reforma do telhado e que não tem licença do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP) para funcionar, foi multada em R$ 12 mil pelo Ministério do Trabalho, na semana passada, por causa do amianto. A obra, feita em setembro do ano passado, não tinha autorização da Prefeitura.   Demolição e perícia   A perícia criminal que vai indicar as causas do desabamento deve ser concluída em dez dias, informou ontem o perito do Instituto de Criminalística (IC) José Manoel Dias Alves. O prazo é o mesmo em que os funcionários da Diez Demolidora, empresa contratada pela Igreja, devem concluir a demolição. Após quatro dias de trabalho, os funcionários conseguiram nivelar a parede lateral e reduziram de 12 para 6 metros a altura da estrutura. Segundo a Defesa Civil, não há mais risco para as seis casas vizinhas ao templo.   Na segunda, peritos do IC fotografaram e fizeram um levantamento topográfico do entorno da igreja para anexar à perícia. A equipe é formada por um fotógrafo, dois desenhistas e um perito engenheiro. A partir de hoje, eles devem retirar os restos dos escombros e montar no estacionamento ao lado as 14 tesouras (estrutura que sustenta o telhado). "Vamos separar também outros materiais para chegar à causa do acidente", disse Alves. O resultado deve ser concluído em até 60 dias.   Justiça   O Ministério Público Estadual (MPE) informou ontem que vai tomar "as medidas judiciais cabíveis" contra a Renascer em razão de cultos realizados anteontem no Club Homs, na Avenida Paulista. O local foi escolhido para substituir o templo do Cambuci. A Igreja tem um acordo com o MPE, firmado na terça-feira passada, para não fazer eventos em locais sem licença. O clube, segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, não tem alvará.   Na sexta, o Homs havia sido multado em R$ 34,5 mil pela falta da autorização. Por cinco dias, sem apresentar a documentação, o clube não poderia receber eventos. Foram aplicadas multas de R$ 1,8 mil em cada um dos cultos da tarde - 15, 17 e 19 horas. A Renascer e o Club Homs foram procurados, mas não se pronunciaram sobre o assunto.   (Colaborou Vitor Sorano, do Jornal da Tarde.)

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