Prefeituras de cidades pequenas atraem profissionais estrangeiros

Mesmo sem o diploma reconhecido, médicos estrangeiros aos poucos se instalam em pequenas cidades. O movimento, que começou há alguns anos e ganha força, tem patrocínio de pequenas prefeituras, divide a Justiça e tira o sono de conselhos médicos. "Isso nada mais é que exercício ilegal da medicina", contesta Cláudio Franzen, do Conselho Regional de Medicina do RS. Prefeituras argumentam que é ao jeito de driblar a falta de profissionais interessados em trabalhar em pontos mais distantes.

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

03 Abril 2012 | 03h04

No Rio Grande do Sul, o CRM ingressou com ação contestando a contratação de uruguaios que não tinham diploma validado. Perdeu. A Justiça considerou legítima a contratação, amparada num acordo entre os países. "Mas isso vale para profissões que não são regulamentadas. Não se aplica à Medicina", argumenta Franzen. O conselho vai recorrer.

Há duas semanas, no Acre, a Justiça preferiu caminho inverso. Considerou ilegais as contratações de estrangeiros pelas prefeituras de Porto Acre, Acrelândia, Feijó e Manuel Urbano. Os contratos haviam sido firmados em 2010. A decisão afirma que os critérios para exercício devem ser os mesmos em todo o País e a carência de profissionais não pode afrouxar as exigências legais.

A falta de interesse dos médicos se justifica, diz Franzen. "Oferecem salários bem inferiores aos R$ 9 mil recomendados. Para uruguaios, isso se torna bom negócio." Franzen tem outra teoria. "Prefeitos se livram de um eventual concorrente político. Nas pequenas cidades, médicos acabam ganhando popularidade e podem despontar como figura política." / L.F. e F.F.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.