Prefeituras devem agir contra o desmatamento, diz Lula

Para presidente, ministério do Meio Ambiente e Ibama não podem ser os únicos responsáveis

Carolina Ruhman e Fabíola Gomes, Agência Estado

21 Novembro 2008 | 12h16

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 21, durante a cerimônia de assinatura do decreto que regulamenta a Lei de Proteção da Mata Atlântica, em São Paulo, que o ministério do Meio Ambiente e o Ibama não podem ser sozinhos responsáveis pela proteção ambiental. Lula firmou que quer envolver as prefeituras para ajudar na luta contra o desmatamento. "Não tem outro jeito senão envolver as prefeituras nisso. Se for preciso passar algum dinheiro para melhorar a fiscalização, vamos ajudar também", disse.       Veja também: Mais de 90% das unidades de conservação sofreram queimadas Lula assinará decreto que regulamenta Lei da Mata Atlântica "Eu disse para o (ministro Carlos) Minc que a partir do próximo ano vou conversar com os prefeitos antes de eles fazerem uma marcha para entregar uma pauta de reivindicações. Eu vou chamá-los para entregar a minha pauta de reivindicações", declarou o presidente. O decreto foi assinado em conjunto com os ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Agricultura, Reinhold Stephanes. Lula elogiou o documento e afirmou que ele contribui para alcançar a meta de "desmatamento ilegal zero".Lula afirmou também que pretende criar uma espécie de guarda florestal nacional para ajudar no aumento de segurança e rapidez na luta contra o desmatamento. Em sua avaliação, a questão ambiental pode ser "uma vantagem comparativa" para o País na hora de pensar as exportações brasileiras. O Ministro do Meio Ambiente citou como um exemplo o "etanol verde". "Nós todos estamos tomando consciência de que a preservação tem de ser uma política nacional", defendeu Lula, pedindo o engajamento dos 190 milhões de brasileiros. Em um discurso de cerca de dez minutos, o presidente citou o caso do Rio Pinheiros, em São Paulo: "A água não tem mais cor, parece petróleo. Será que encontraram um pré-Pinheiros ali?", brincou.Minc comemorou a assinatura do decreto. Segundo ele, foram necessários 14 anos para aprovar e sancionar a lei de proteção da Mata Atlântica. "Tem que ser um presidente eco-petista para aprovar a lei", brincou. O ministro destacou o papel do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que elaborou um mapa de aplicação da legislação. Segundo ele, o decreto vai atuar para a meta de terras da Mata Atlântica preservada passar dos atuais 7% para 27%, recuperando as áreas degradadas.Stephanes, por sua vez, destacou a atuação conjunta de sua pasta na luta contra o desmatamento. "A grande novidade é que pela primeira vez trabalhamos juntos na regulamentação de uma ato de proteção." O deputado federal Fábio Feldman (PSDB), presente no evento e autor da lei, foi parabenizado pelo presidente e pelos ministros.

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