Premiê da Grécia busca apoio para títulos de dívida europeus

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse na sexta-feira que Atenas busca apoio para a proposta de criação de títulos governamentais comuns à zona de euro, que é combatida pela Alemanha, dizendo que ela ajudaria os países a enfrentar os altos custos de empréstimos.

REUTERS

31 de dezembro de 2010 | 10h24

Embora a Alemanha seja totalmente contrária à proposta de emitir títulos de dívida governamental comuns à zona do euro, a ideia vem sendo defendida por alguns líderes europeus, como Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogroup, que reúne os ministros das Finanças da zona do euro, como maneira de acelerar a integração fiscal.

Em artigo publicado em um jornal grego, Papandreou disse que a Grécia trava uma batalha para enfrentar os desequilíbrios na zona do euro, onde os custos mais altos enfrentados por alguns países ao contrair empréstimos, devidos aos receios dos investidores quanto à sua capacidade de reduzir sua dívida grande, os estão deixando em desvantagem competitiva.

A Grécia já foi efetivamente excluída dos mercados de capitais depois de seus custos de empréstimos terem aumentado vertiginosamente este ano, desencadeando uma crise de dívida que abalou o euro e obrigou Atenas a pedir um pacote de resgate de 110 bilhões de euros (145,7 bilhões de dólares) de seus pares na zona do euro e do FMI.

"Estamos travando uma batalha ao nível mundial e europeu. Uma batalha contra as debilidades de um sistema bancário internacional que ainda tem dificuldades e não está financiando a economia real, e contra os desequilíbrios na zona do euro, onde alguns contraem empréstimos mais caros que outros e, consequentemente, sempre são menos competitivos", escreveu Papandreou em artigo publicado pelo jornal Ethnos na sexta-feira.

A Alemanha argumenta que a emissão de títulos de dívida governamental comuns da zona do euro, ou E-títulos, reduziria a disciplina do mercado que obriga os países a combater os déficits orçamentários altos. O país também teme que os e-títulos elevariam seu próprio custo de empréstimos, o mais baixo da União Europeia.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, reiterou na quinta-feira que a zona do euro não deve emitir títulos soberanos conjuntos para fazer frente a crises futuras.

"O nível de rendimento mais alto expresso nos chamados spreads é ao mesmo tempo um incentivo e uma sanção (para se ter uma política fiscal estável)", escreveu Schaeuble no jornal alemão Tagesspiegel.

(Reportagem de George Georgiopoulos)

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