Premiê tailandesa pede unidade nacional contra inundações

A primeira-ministra Yingluck Shinawatra admitiu nesta quinta-feira que a Tailândia vive uma crise por causa das enchentes, as piores em meio século, que ameaçam deixar a capital debaixo d'água.

PRACHA HARIRAKSA, REUTERS

20 de outubro de 2011 | 12h33

Yingluck, criticada pela forma como administrou a tragédia que já matou pelo menos 320 pessoas desde julho, além de devastar zonas industriais no centro do país, pediu unidade nacional diante da crise.

"Devo admitir que o governo não consegue ficar de olho em todo lugar. Este é um momento de crise nacional. Todos devem trabalhar juntos", disse ela num centro de gerenciamento de crises instalado no aeroporto Don Muang, em Bangcoc. "Culpar uns aos outros não vai ajudar. Hoje precisamos de unidade para resolver o problema.

Yingluck disse que as autoridades de Bangcoc vão se coordenar para abrir, total ou parcialmente, todas as barragens da cidade, para permitir um fluxo estimado em 8 a 10 milhões de metros cúbicos diários de água em torno do centro da metrópole.

Cerca de 50 mil soldados e 30 mil policiais adicionais serão colocados de prontidão para ajudar na operação. Albergues para até 4.500 pessoas estão sendo preparados.

Na zona norte da capital, moradores de vários bairros já pegaram seus pertences e fugiram, às vezes com água pela cintura.

A inundação cobre atualmente um terço das 76 províncias tailandesas, num total de 1,6 milhão de hectares no norte, nordeste e centro do país.

PREJUÍZOS À ECONOMIA

Amplos polos industriais ao norte de Bangcoc ficaram alagados, e o Banco Central estimou nesta quinta-feira os prejuízos às indústrias em mais de 3,3 bilhões de dólares.

O BC tem elevado os juros há mais de um ano para conter a inflação, mas na sua reunião de quarta-feira manteve a taxa inalterada, e nesta quinta anunciou que uma reunião extraordinária pode ser convocada para reduzi-la.

A japonesa Sony disse que adiará o lançamento de várias câmeras, que estava previsto para novembro, porque as inundações paralisaram a produção em algumas das suas fábricas na Tailândia.

As montadoras japonesas que operam no país reduziram sua produção em cerca de 6.000 veículos por dia.

Analistas e agentes do mercado de arroz disseram que até 3,5 milhões de toneladas de arroz com casca (equivalentes a 2 milhões de toneladas de arroz limpo) foram danificadas, e que um embarque de 100 mil toneladas foi adiado. A Tailândia é o maior exportador mundial do cereal.

Prasarn Trairatvorakul, presidente do Banco Central, disse que o crescimento econômico neste ano pode ficar mais de 1 ponto percentual abaixo da previsão anterior às inundações, que era de 4,1 por cento. Na terça-feira, o ministro das Finanças, Thirachai Phuvanatnaranubala, admitiu que a alta do PIB em 2011 pode ser apenas ligeiramente superior a 2 por cento.

O dano à economia será ainda maior se a inundação atingir Bangcoc, que responde por 41 por cento do PIB nacional.

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