Prescrição de sibutramina será investigada

Prescrição de sibutramina será investigada

Conselho de medicina vai avaliar médicos que mais receitam a substância; Anvisa quer ampliar controle sobre ritalina

Lígia Formenti, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Médicos campeões em prescrição de moderadores de apetite serão investigados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). As sindicâncias serão abertas com base nos dados coletados pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os profissionais terão de apresentar seus prontuários e explicar por que indicaram medicamentos a tantos pacientes.

Segundo o médico Desiré Callegari, do CFM, é a primeira vez que será feita uma devassa como essa. "Estamos falando de medicamentos que podem levar à dependência, que podem provocar complicações."

O primeiro relatório do sistema da Anvisa, divulgado ontem, apontou que, entre os dez maiores prescritores de sibutramina no País, havia um médico especialista em medicina de tráfego. "Não é preciso ser endocrinologista para receitar o medicamento. Não há problema ético. O que chama a atenção é a quantidade", afirmou a coordenadora do SNGPC, Márcia Gonçalves Oliveira. O sistema, implantado em 2007, recolhe dados da movimentação das substâncias controladas. Até agora, 62% das farmácias aderiram ao sistema.

A Anvisa também deverá deflagrar ações para verificar por que em alguns Estados há venda acima da média de seis drogas analisadas no primeiro relatório: quatro moderadores de apetite, um medicamento para depressão e outro para crianças com hiperatividade. O primeiro passo para ampliar o cerco foi dado ontem, com a publicação de uma resolução que muda a classificação da sibutramina, o moderador de apetite que, de acordo com o relatório, é o mais usado no País. O remédio agora passa a integrar uma lista, chamada de B2. Com a nova classificação, a droga só poderá ser vendida com a apresentação de uma guia especial, azul.

Para José Bonfim, da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos, as medidas tomadas pela Anvisa ainda são pouco eficazes para evitar o uso abusivo de psicoativos. "Os anorexígenos deveriam ter o registro suspenso no País, como já ocorreu em países desenvolvidos."

Ritalina. A Anvisa também quer ampliar o controle da ritalina, medicamento indicado para tratamento de crianças hiperativas. O relatório mostra que em alguns Estados do País, como Distrito Federal e Rio Grande do Sul, há um consumo bem acima da média do País, que é de 0,09 mg por cada 1000 habitantes por dia. No Distrito Federal, o consumo chega a quase 0,5 mg.

Uma das suspeitas é de que haja um desvio de padrão de uso, como, por exemplo, por adultos que estão em busca de maior concentração no trabalho ou de redução de peso. / COLABOROU KARINA TOLEDO

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