Presidente da CPI diz que não está frustrado com investigação

Apesar de ter apresentado poucos resultados práticos até agora, as investigações da CPI do Cachoeira não frustraram o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que avaliou nesta quarta-feira que os parlamentares conseguiram vencer "o descrédito" que rondava a CPI no começo dos seus trabalhos.

Reuters

18 de julho de 2012 | 14h17

Nem mesmo os seguidos depoimentos mudos de pessoas convocadas pela comissão e que tinham relação com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, desanimam o senador, que vê nesse silêncio uma estratégia de defesa dos advogados que acompanharam as testemunhas na CPI mista.

"Foram desafios que essa CPI teve que vencer, enfrentando descrédito e avaliações injustas", analisou Rêgo nesta quarta ao fazer um balanço dos trabalhos.

Segundo ele, por ter começado a investigação parlamentar depois de um amplo trabalho da Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo, que resultaram na prisão de Cachoeira desde fevereiro, a CPI é única em relação às outras apurações já realizadas pelo Congresso.

"A riqueza dessa CPI está na sala cofre", disse para argumentar que a falta de depoimentos produtivos não atrapalha a comissão.

Das 24 pessoas convocadas pela comissão para prestar explicações, 13 não falaram nada.

Porém, mesmo para obter documentos junto às empresas e órgãos públicos a CPI têm enfrentado problemas. O próprio presidente da comissão afirmou que tem sido difícil conseguir dados telefônicos pedidos às operadoras de telefonia e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Rêgo disse que o modelo de controle da Anatel sobre as empresas "ainda não é plenamente eficaz no que se refere a obtenção de dados".

O senador também rebateu as acusações do PSDB de que a CPI estava servindo de instrumento político para que PT e os partidos aliados perseguissem o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.

"Os ataques são políticos e a gente respeita posições políticas", disse. "O relator é um membro da CPI e tem posições que hão de ser respeitadas. Ele tem agido com isenção", afirmou Rêgo tentando diminuir a pressão sobre o relator, o deputado Odair Cunha (PT-MG).

Para ele, é natural que mais pessoas ligadas ao governo goiano tenham sido chamadas à CPI porque a "organização criminosa nasceu em Goiás".

Rêgo afirmou ainda que não se sente "ameaçado" ou "amedrontado" pela morte do policial federal Wilton Tapajós Macedo, que integrou as investigações da operação Monte Carlo.

O agente foi morto a tiros na terça-feira, em Brasília, quando visitava o túmulo dos pais num cemitério próximo a Superintendência da Polícia Federal. Há suspeita, levantada por familiares, de que ele tenha morrido por causa das investigações contra Cachoeira.

A Polícia Civil ainda está investigando o crime e não descartou a hipótese se latrocínio (roubo seguido de morte). Rêgo também descartou a possibilidade da CPI se envolver no caso.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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