Presidente da Parada Gay sofre agressão

Militante ficou inconsciente; criminoso levou R$ 4 mil do cofre

William Glauber e José Dacauaziliquá , Agencia Estado

12 de fevereiro de 2008 | 06h02

O presidente da associação que organiza a Parada Gay de São Paulo, o transexual masculino Alexandre Santos, de 35 anos, foi amordaçado, amarrado e agredido na tarde de segunda-feira, 11, durante assalto à sede da entidade, localizada na região da Praça da República, no centro da capital. O criminoso roubou cerca de R$ 4 mil do cofre da associação. Xande, como é conhecido na militância gay, conta que a entidade foi invadida por volta de 12h30. Ele estava sozinho, foi abordado pelas costas e ameaçado com um objeto no pescoço. "Chegaram me chamando de 'sapatão' e pediram a chave do cofre." Após o ataque, o militante acordou por volta de 15 horas, embaixo de uma mesa. Xande assumiu a presidência da ONG há duas semanas.Para pedir ajuda, começou a se debater. Voluntários de ONGs vizinhas prestaram socorro e levaram Xande ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Misericórdia, em Santa Cecília. Lá, ele passou por tomografias e foi liberado por volta das 21 horas, após observação. "Fiquei com um 'galo' na cabeça."O crime repercutiu no meio gay. O coordenador da Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo, Cássio Rodrigo, aposta em crime de intolerância e critica a impunidade. "Não é mais um assalto em farol. Invadiram a sede da entidade sob xingamentos. Precisamos retomar a discussão com o Congresso Nacional de criminalização da homofobia", diz Rodrigo.O secretário-geral do Instituto Edson Néri, Décio de Jesus, também considera o assalto à Associação da Parada uma investida homofóbica. "Além da violência cotidiana que os gays e lésbicas enfrentam, agora os criminosos roubam nossos espaços", protesta. Jesus também coloca no centro desse debate a criminalização da homofobia. "Vamos marcar um ato e exigir um posicionamento da Secretaria da Segurança Pública", afirmou.O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, subordinada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

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