Presidente da Petrobras diz que CPI seria negativa para empresa

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou nesta quinta-feira que a realização de uma CPI para investigar a empresa teria consequências negativas para a companhia.

REUTERS

14 de maio de 2009 | 19h01

A oposição no Senado aceitou após reunião suspender a instalação da CPI em troca da convocação do presidente da Petrobras para explicar supostos procedimentos irregulares da empresa com o pagamento de tributos e fraudes em licitações. Com o acordo, o governo quer rebater as denúncias para evitar a criação da comissão.

A estatal teria praticado manobras contábeis para economizar 4 bilhões de reais no pagamento de impostos, conforme denúncia da imprensa.

"A CPI é um instrumento para analisar fato concreto. Uma CPI que investiga sem fatos concretos é uma CPI que permite servir como palco para grandes denúncias de tudo que pode acontecer", disse Gabrielli a jornalistas durante visita ao Senado.

"Isso é coisa que tem consequências muito negativas para a Petrobras e para qualquer empresa, qualquer cidadão. As consequências de uma CPI sem fato concreto são muito graves", reiterou.

Ele frisou que o Congresso tem legitimidade para realizar investigações, disse que está à disposição dos senadores para prestar esclarecimentos e voltou a negar que a empresa tenha realizado manobra fiscal.

"O que fizemos não foi diferente de uma antecipação. É como, por exemplo, a restituição do Imposto de Renda para a pessoa física", argumentou.

Gabrielli, que chegou ao Senado após a decisão dos líderes dos partidos de adiar a realização da CPI, esteve com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e com o senador Aloizio Mercadante (SP), líder do PT.

Mais cedo, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, senador pelo PMDB licenciado, afirmou que é possível evitar a investigação parlamentar.

"Nem sempre CPI é solução para tudo. Se o que se quer saber é informação concreta, isso pode ser feito em audiência pública em que o presidente da Petrobras comparece e responde a todas as perguntas", disse Lobão após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o ministro, uma CPI pode prejudicar a imagem da Petrobras no exterior.

Ainda não há data para a audiência com Gabrielli, que deve ser ouvido em sessão conjunta das comissões de Assuntos Econômicos, de Constituição e Justiça e de Infraestrutura.

O pedido de CPI foi protocolado na quarta-feira com assinaturas de senadores de cinco partidos.

(Texto de Carmen Munari)

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